terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O VÍDEO MAIS ENGRAÇADO DO ANO


Você sabe o que significa a sigla do partido DEM? Democratas. Pois bem, vou lembrar-lhe agora qual é a origem desse DEM, e você vai achar que o nome do partido é ironia. Não é. É pior.

É deboche.

Porque o DEM é sucedâneo de nada menos do que o PFL, que por sua vez é sucedâneo de nada menos do que a Arena, que era nada menos do que o partido de sustentação da ditadura militar.

Sei que muitos sentem saudade dos tempos da ditadura militar. Não os julgo, cada um com suas convicções e preferências. Mesmo estes, porém, haverão de admitir que a ditadura é o oposto da democracia. Não por razões ideológicas; por razões conceituais. Desde que os ingleses estabeleceram a monarquia constitucional, no século 17, pode-se ter democracia até havendo um rei. Havendo um ditador, não. Logo, quem defende a ditadura é contra a democracia.

O PFL defendia a ditadura.

E agora o PFL se chama “Democratas”.

Um nome desses para um partido desses só pode ser caso de escárnio cruel. Eles são os “Democratas”... Por favor!

Alguém talvez pergunte os motivos que levaram o PFL a trocar de nome. Afinal, trata-se de uma mudança incomum. Quando o Brizola voltou ao Brasil, em 1979, ele queria desesperadamente retomar o comando de seu velho partido, o PTB.
Seria uma união perigosa para os interesses da ditadura — Brizola tinha prestígio como líder político e o PTB tinha prestígio como defensor dos interesses dos trabalhadores. O governo precisava apartar um de outro, e trabalhou intensamente para que isso acontecesse. Conseguiu. A sigla ficou com a sobrinha-neta de Getúlio Vargas, Ivete Vargas. Brizola chorou quando a Justiça lhe subtraiu os direitos sobre sua antiga legenda. E a ditadura atingiu seu objetivo: nem o PTB de Ivete nem o PDT de Brizola recuperaram o patrimônio trabalhista do PTB de Getúlio e Jango. A herança do velho PTB, de certa forma, foi arrebatada depois pelo PT, mas essa é outra história.

O importante é que o antigo PTB tinha um nome a zelar. Era uma sigla poderosa.

O antigo MDB também se orgulhava de seu nome, tanto que o senador Pedro Simon não chama seu partido de PMDB, chama de MDB. Está certo, o Simon: esse MDB com pê na frente assemelha-se muito ao PFL no quesito fisiologismo — o PFL fazia qualquer negócio para se acochambrar com o poder. Só que o PMDB não sustentava a ditadura. O PFL, sim. Por isso, o PFL teve que trocar de nome — até as pessoas menos esclarecidas já intuíam o que o partido representava.

E agora o PFL se chama “Democratas”...

É por isso que exultei ao assistir aos vídeos daqueles caras do DEM-PFL-Arena recebendo pacotes de dinheiro escuso, não tendo bolsos em número suficiente para meter tanto dinheiro em seus ternos bem cortados, sendo obrigados a enfiar maços de notas de 50 nos carpins. Foi bonito aquilo, porque mostrou a verdadeira cara do DEM.

Que é o PFL.

Que era o pior pedaço da Arena.

É possível que existam homens dignos no DEM. Não devia. Democratas não consentem em conviver com tamanha contradição. Democratas não defendem a ditadura.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BRAZUCAS MAU-HUMORADOS


Robin Williams é um comediante medíocre. Como ator dramático ele até que já teve seus momentos, como em "Bom Dia, Vietnã" e "Sociedade dos Poetas Mortos", mas contando piada é ridículo. Mas não é que o cara às vezes também dá uma dentro. Uma dessas foi a piadinha sobre o Rio. Segundo ele, a cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 ofereceu cocaína e strippers para levar a disputa. Em contrapartida, Chicago tentou com Michele Obama e Oprah Winfrey.

Sacaram a piada, né? Para ele, a primeira-dama e a apresentadora milionária estão na mesma categoria dos outros produtos de marketing. Só que o Rio foi mais "malandro" e levou a Olimpíada. Nada de anormal, tirando a reação reacionária brasileira, como sempre. Não suportamos que brinquem com nossa imagem. Quando Os Simpsons falaram que tínhamos macacos andando pelas ruas da mesma cidade quase morremos. Mas adoramos tirar um sarro com os outros, certo? George W. Bush que o diga.

O povo por aqui anda muito estressado. Você não pode tirar um sarro do Rio. Muito menos brincar com um torresmo (delícia). Não demora e a patrulha dos ordinários politicamente corretos chega para encher de graça a piada. O brasileiro está ficando este povo chato que vê pelo em qualquer ovo. É o paredão da chatice. Tão chato que faz Robin Williams parecer engraçado.

O Rio é uma cidade maravilhosa, onde até helicópteros caem do céu. Feito de bandidos de uma criatividade ímpar, que sempre descobrem formas inusitadas de usar carrinhos de mercado e pneus usados. Nunca diga, porém, que tem prostitutas e drogas. Isso é coisa de corno.

Existem ainda aqueles que se regozijaram com a piada, contada logo na abertura da entrevista do comediante ao programa Late Show, apresentado por David Letterman, e exibido no Brasil pelo canal fechado GNT. Esses interpretaram o chiste como uma análise profunda da sociedade brasileira. Acreditam que Robin Williams criticou nosso gosto cada vez maior por belas dançarinas, de bundas empinadas e durinhas, pela música de mau-gosto que vem da favela ou das periferias em geral, além de cutucar nossa incapacidade de enfrentar o tráfico de drogas. Sinto dizer, mas estes são ainda mais ingênuos.

O que Robin Williams fez foi apenas uma piada. Aliás, uma das poucas coisas com alguma graça que ele fez na entrevista em questão. Uma piada que teria passado despercebida não fosse a reação desproporcional dos brazucas mau-humorados.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

PORQUE O FLAMENGO É HEXA!!!


Nessa postagem publico um texto produzido pelo jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho, o PVC , no qual ele esclarece a polêmica sobre o Campeonato Brasileiro de 1987 e dá a sua opinião sobre o assunto. Faço minhas, as palavras dele.

"Como prometi no ar, explico tudo o que aconteceu em 1987.

A história começa em 1986.

Até aquele ano, os campeonatos estaduais eram classificatórios para o Brasileiro. Os seis primeiros de São Paulo, os cinco primeiros do Rio, os dois melhores do Mineiro, do Gaúcho, do Pernambucano, os campeões estaduais de outros estados se classificavam.
Assim, entre 1980 e 1986, o Brasileirão teve 40 clubes na primeira divisão (Taça de Ouro, Copa Brasil) e quatro que se classificavam do torneio de acesso (Taça de Prata, Torneio Paralelo, nome oferecido em 1986).

Em 1986, a CBF prometeu mudar o sistema e criar, para 1987, a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Os 24 melhores de 1986 formariam a Série A do ano seguinte.

Terminado o campeonato, a CBF mudou de idéia. Primeiro, afirmou que não tinha condição financeira de promover o torneio. Foi quando os grandes se rebelaram e fizeram o movimento que criou o Clube Dos Treze. Os fundadores (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Bahia) anunciaram que disputariam um campeonato próprio, organizado por eles mesmos.

A CBF, então, se mobilizou e anunciou que faria o campeonato com 40 clubes. Os grandes fizeram uma composição com a CBF, mas criaram a Copa União, com a participação, também, de Santa Cruz, Goiás e Coritiba. A CBF criou o regulamento, que previa o cruzamento de campeão e vice do Módulo Verde (Copa União) com campeão e vice do Módulo amarelo (a suposta segunda divisão). O Clube dos 13 dizia que não disputaria o cruzamento, a CBF dizia que haveria o cruzamento. Essa confusão se deu porque o representante do Clube dos 13 na CBF era Eurico Miranda. O Eurico aceitou o acordo com a CBF, mas, quando informou a direção do Clube dos 13, esta recusou veementemente. O campeonato começou com a CBF dizendo que haveria o cruzamento, o Clube dos 13 dizendo que não aceitava e que não disputaria.

Nesse ínterim, o Brasil inteiro assistiu à Copa União como o Campeonato Brasileiro, sem dar muita atenção ao que aconteceria no final do ano. A TV Globo transmitia para o Brasil inteiro, um jogo por rodada sorteado quinze minutos antes da partida começar, às 17h do domingo. Pernambuco também vivia assim, porque acompanhava o Santa Cruz no torneio.

E assim o Flamengo venceu o Brasileirão, a Copa União, em 13 de dezembro de 1987. No mesmo dia, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, um dos líderes da criação do Clube dos Treze, reafirmou que não haveria cruzamento.

Enquanto isso, no mesmo dia, Guarani e Sport se classificaram para a decisão do Módulo Amarelo, decidido nos pênaltis. O empate persistiu tanto que ao chegar aos 11 x 11, nas cobranças de pênalti, os dois presidentes decidiram que o torneio terminaria empatado.
Sport e Guarani foram proclamados campeões empatados do Módulo Amarelo pela CBF. Tinham a perspectiva de disputar o cruzamento com Inter e Flamengo.

No início de 1988, a CBF fez a tabela. Sport e Guarani entravam em campo nas partidas marcadas contra Inter e Flamengo. Sem adversário, eram proclamados vencedores por W.O. Na decisão do “Campeonato Brasileiro”, o Sport enfrentou o Guarani, empatou o jogo de ida por 1 x 1, em Campinas, venceu no Recife por 1 x 0, gol do zagueiro Marco Antônio. A CBF proclamou o Sport campeão brasileiro de 1987.

Agora vai minha opinião:

Flamengo campeão legítimo de 1987, porque o Brasil inteiro acompanhou a Copa União como o Campeonato Brasileiro.
O Sport não pode ser descartado, porque é oficial.

E eu preciso contar a história inteira. Por isso, embora eu julgue o Flamengo o campeão legítimo, quando me perguntam, digo: Flamengo e Sport são campeões de 1987. É o único jeito de alimentar a curiosidade e contar a história inteira, como todo mundo merece saber".


Texto de Paulo Vinícius Coelho
(Comentaista dos canais ESPN e ESPN Brasil e colunista da Folha de S.Paulo)

domingo, 6 de dezembro de 2009

LULA, O FILHO DO BRASIL


Desde o pré-lançamento de "Lula, o filho do Brasil", no Festival de Cinema de Brasília, uma chuva de críticas inundou os jornais e revistas. Há entre os detratores do filme os que consideram a obra um disparate por se tratar da história de um presidente que está em pleno mandato. Classificam esse tipo de cinebiografia como propaganda política e acusam o produtor Luiz Carlos Barreto de querer criar um mito vivo.

A jornalista e escritora Denise Paraná, autora da biografia de Lula, diz que o filme é uma cópia fiel de seu livro. A obra da jornalista ficou conhecida em 2003, depois da eleição de Lula para a Presidência da República. Mas bem antes disso, em 1996, eu já conhecia o livro. Se o filme é fiel ao livro, tem tudo para não ser uma propaganda política, como querem muitos críticos.

Pode ser exagero condenar a obra só porque o personagem principal representa o presidente de um país em pleno exercício do mandato. 2 Filhos de Francisco, que narra a história da dupla Zezé di Camargo e Luciano, teve grande sucesso de público e nem por isso foi considerado uma tentativa de transformar os dois músicos de Goiás em mitos vivos.

Assim como a história de Zé di Camargo e Luciano, a biografia de Lula é interessante e ponto final. Aí está o motivo por surgirem livros, filmes, documentários e outras produções. É natural que isso ocorra. Nos Estados Unidos, após a eleição de Obama pipocaram publicações para todos os gostos sobre a vida do primeiro presidente negro do país. E já estão falando em transformar a biografia do menino criado no Havaí em uma megaprodução de Hollywood.

Se até a ex-governadora Alasca Sarah Palin, candidata republicana derrotada à vice-presidência dos EUA, publicou sua biografia e fez grande sucesso, por que a história de Lula não pode virar filme? Só porque ele é filho de retirantes nordestinos? Quem não gosta do presidente não precisa ir ao cinema.

Em tempo: O Serra, governador de São Paulo, é um bom personagem para filme. Tem uma história de vida interessante: foi líder estudantil, lutou contra a ditadura militar e passou anos no exílio; voltou para o Brasil e deu a volta por cima.
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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.