sexta-feira, 29 de outubro de 2010

OS "INDIGNADOS" DA INTERNET



TEXTO PUBLICADO NO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Por Maria Rita Kehl*


Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos.

Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora.

Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense.

A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos.

O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.



*Maria Rita Kehl: psicanalista, poeta, ensaísta e jornalista. Autora de "A mínima diferença" e "O tempo e o cão". Foi demitida do jornal O Estado de São Paulo após a publicação deste artigo, "por um delito de opinião", conforme suas palavras.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PIRATAS À VISTA

Recebi este texto por e-mail e tomei a liberdade de publicá-lo aqui no Blog. Achei importante para o debate nesta última semana de campanha eleitoral.

Os piratas querem invadir o Pará novamente, temos que proteger nosso ouro, nossos cofres. Esta é uma paródia à peça publicitária da cerveja Cerpa, assinatura da Griffo Comunicação, que detinha as contas publicitárias da Cervejaria Paraense S/A e do governo Jatene à época do escândalo político financeiro envolvendo benefícios fiscais concedidos pelo tucano à cervejaria em troca de propinas.

A Griffo ainda é a detentora da conta da fábrica de bebidas Cerpa e coordena e dirige a atual campanha do ex-governador. A tríade permanece, até hoje, agindo contra os interesses públicos.

Estão se anunciando com muita sede ao pote, para saquear de novo as riquezas do Pará. Os métodos saqueadores e seus personagens se repetem: Jatene com o tapa-olho e gancho na mão é o líder da pirataria em terras paraenses; Orly com a perna-de-pau e cara-de-pau dá ordens de invasão aos cofres públicos; os demais personagens agem movidos pelas ordens.

O escândalo envolvendo o candidato ao governo Simão Jatene foi descoberto numa operação de busca e apreensão do Ministério Público do Trabalho dentro da Cervejaria Paraense S/A (Cerpa): na busca por documentos para comprovar irregularidade no pagamento de funcionários da empresa, os auditores fiscais do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) descobriram entre os arquivos dos computadores da empresa a pasta ‘Pendências’.

Em detalhes, a pasta ‘Pendências’ com descrições dos repasses de R$ 16,5 milhões para o PSDB, que patrocinaram a campanha de Simão Jatene ao governo do Estado. Associada à doação está vultosa renúncia fiscal dedicada à empresa de Karl Seibel para abater dívida ativa da Cerpa.

R$ 4 milhões foram liberados para financiar a campanha de Jatene e R$ 12,5 milhões foram pagos durante o mandato, em troca dos benefícios fiscais concedidos à cervejaria, segundo o Ministério Público Federal.

No primeiro ano do mandato de Jatene, em setembro de 2003, a fábrica da cervejaria ganhou abatimento de 95% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido, tendo ainda prorrogada a benesse por mais 12 anos, além do benefício atingir outras empresas. O caso foi denunciado pelo Ministério Público Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Política de incentivos fiscais tucana na época deve ser explicada pelo ex-governador Jatene e ainda o motivo para que uma empresa inscrita na dívida ativa do Estado há mais de cinco anos, como a Cerpa, tivesse tido direito a tantos e tão generosos benefícios fiscais.

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Pará foi pedida para apurar as acusações financeiras e fiscais entre os dirigentes tucanos e a Cerpa, mas não deu em nada.

Segundo a revista Isto é nem a Santa escapou da maracutaia. “Poucas semanas antes das eleições, a Cerpa repassou R$ 202.050 para a campanha tucana, declarados como patrocínio das festividades do Círio de Nazaré”, publicou. A publicação acrescentou que na prestação de contas oficial junto ao TSE, existem apenas três doadores declarados por Jatene: o próprio PSDB, com R$ 2,5 milhões, e duas empresa pequenas, que doaram irrisórios R$ 32 mil. A Cerpa, que pelos documentos apreendidos doou um total de R$ 16,5 milhões, antes e depois da campanha, não foi sequer citada.

O dono da cervejaria, Karl Konrad Seibel e sua mulher, Jutta, aparecem no banco de dados do MTB Bank movimentando milhões de reais na Suiça, na Ilhas Virgens Britânicas e, de acordo com o Ministério Público, a trajetória indica repatriação clandestina de dinheiro.

A Constituição Federal dispõe no artigo 37, § 4º, que “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.


Luis Otávio
jornalista

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PORQUE DEIXEI DE LER A VEJA




Acima as duas capas da Revista Veja sobre o mesmo assunto: Che Guevara. Passaram-se 10 anos entre a publicação de uma e de outra. A primeira, publicada em 1997, foi feita a partir de uma matéria escrita por Dorrit Harazim, talvez a repórter de maior prestígio no Brasil. Dorrit viajou à Bolívia, onde foi assassinado o Che, e voltou com um texto descritivo, sustentado por carradas de documentos e pelo menos uma dezena de entrevistas. O título: O Triunfo final de Che.

Na reportagem, Dorrit não faz uma apologia do guerrilheiro. Limita-se a investigar as ocorrências de seus últimos dias e tenta explicar como ele se transformou em mito. “Che Guevara tinha tudo para se tornar imortal”, escreveu. “Era bonito, destemido e morreu jovem, defendendo conceitos igualmente jovens, como a solidariedade e a justiça social”.

O texto de 2007 tem como título “Che: Há 40 anos morria o homem e nascia a farsa”. Não é uma reportagem; é um grande artigo disfarçado de reportagem. Os autores não saíram para fazer a matéria e retornaram com a convicção de que Che foi um monstro. Não. Eles partiram da convicção de que Che foi um monstro para escrever a matéria. O texto se propõe a convencer o leitor da tese da revista. A Veja de2007 descreveu o Che desta forma: “Com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível”.

E agora? Em qual Veja devo acreditar? Sei a resposta: na de há 10 anos. Não porque a atual desmoraliza Che Guevara. Pouco me importa Che Guevara. Importa-me a Veja. Criei-me lendo essa revista, leio-a desde o tempo em que ela balizava o jornalismo brasileiro. Acontecia algo grave durante a semana, como, sei lá, uma crise no Senado, e eu ia entender na Veja. Mas, por algum motivo, a Veja mudou. Não falo de Diogo Mainardi ou qualquer outro de seus colunistas. Esses estão emitindo opinião. E fazem-no com competência e talento. Posso até não concordar com o que escrevem, mas não preciso concordar com um colunista para gostar dele. Falo do jornalismo da Veja.

Alguém dirá que nada na imprensa brasileira é confiável. Não é assim. Há veículos que tentam exercer um jornalismo honesto, sobretudo os grandes jornais. A Folha de S. Paulo, com sua independência feroz, chega a se tornar mal-humorada e injusta, como tem sido com Dilma nestas eleições presidenciais. O Estadão é tão comedido, que volta e meia vira empedernido. O Globo procura com tal ânsia a qualidade, que não raro acaba se tornando fútil. Nenhum desses jornais aparenta certezas ideológicas tão arraigadas que os levem a qualificar alguém como “desprezível”. Contam o que está acontecendo de acordo com sua forma peculiar de contar, fiéis inclusive aos seus defeitos. A Veja, não.

A Veja parece preocupada mais em provar seu ponto de vista do que em contar o que está acontecendo. Como, então, posso ter certeza de que a cobertura da crise no Senado, das eleições presidenciais ou de qualquer outro fato relevante não acabe eivada por alguma segunda intenção, como dá a entender a edição reservada ao Che? Um problema que eu, antigo leitor da Veja, resolvi em 2007.

Logo depois de ler o tal artigo disfarçado sobre Che, parei de comprar e de ler a revista. E o pior é que, nos últimos anos, a certeza de que a Veja é totalmente dispensável só se fortaleceu em mim. Basta ver a vexatória cobertura que ela vem fazendo das eleições presidenciais. Parece mais um panfleto de campanha, com sua redação transformadas em comitê tucano, do que um órgão de imoprensa independente. É triste!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ESTÃO PREPARANDO UM GOLPE!

Esta matéria foi pblicada hoje pelo site Terra. Como não achei link direto para o Twitter, acabei copiando aqui para o meu blog. Mas o crédito já está dado.

TARSO COMPARA CAMPANHA DE SERRA A PREPARAÇÃO DO GOLPE DE 64

15 de outubro de 2010 • 08h43

Direto de Porto Alegre

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse, na noite desta quinta-feira (14), em Porto Alegre, que, em relação à disputa presidencial, está havendo "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o então governo estabelecido.

Diante de cerca de duas mil pessoas que lotavam o Salão de Eventos do Hotel Plaza São Rafael na plenária de mobilização da campanha da petista Dilma Rousseff para o segundo turno da eleição presidencial no Estado, Tarso fez críticas duras aos adversários de Dilma na eleição, avaliando que hoje a ameaça é mais grave, porque inclui a "manipulação da informação com cumplicidade da maior parte da grande imprensa". O governador eleito finalizou seu discurso avaliando que a situação pode "redundar em uma eleição ilegítima", na qual um candidato quer se eleger "com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação".

Mesmo sem a presença de Dilma, o PT e os partidos aliados prepararam um grande evento para o que apontam como a "arrancada" da campanha do segundo turno da petista. Nas escadarias, na entrada do prédio e no salão, militantes distribuíam pilhas de adesivos, folders com os 13 compromissos de Dilma e um documento com os principais pontos de organização da campanha no Estado e pré-roteiros das lideranças estaduais até o dia 30 de outubro.

Dentro do salão, na mesa principal, com direito a discurso, estavam, entre os representantes de siglas aliadas, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT), que na eleição estadual concorreu como vice do principal adversário de Tarso, o peemedebista José Fogaça, e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB). Mendes, que coordenou a campanha de Fogaça, chegou à plenária após passar a tarde em uma tensa reunião do PMDB gaúcho na qual foi decidido indicar ao diretório do partido proposta de apoio ao adversário da petista, José Serra (PSDB), mas respeitando os que preferirem Dilma. Em seu discurso, lembrou à plateia a importância de que peça votos.

Zambiasi, que durante seu discurso foi aplaudido de pé pelo público, também recheou as falas de críticas aos adversários na eleição presidencial. Ele começou sua manifestação respondendo a uma pergunta que ficou em suspense durante toda a campanha. "Tarso, eu votei em ti", declarou. Em seguida, disse que os adversários "fracassaram com os trabalhadores e aposentados". "Não venham agora prometer o que não vão cumprir".

Ao final da plenaria, questionado sobre o fato de Serra ter visitado o Estado antes de Dilma neste segundo turno e de a mobilização dos serristas estar bem mais organizada do que no primeiro turno da eleição, Tarso resumiu: "Não nos atemoriza". Ele também minimizou a definição majoritária do PMDB em favor de Serra. "Foi boa, porque liberou os que preferem a Dilma". Além dos partidos que já apoiam a petista no Rio Grande do Sul, Tarso segue em busca de dissidentes em siglas que, no Estado, preferem Serra, como é o caso do PP. "Já conversei com o Mano Changes (deputado estadual do PP, vinculado aos eleitores jovens) e antes do final da semana vamos falar novamente".

Após a plenária, o governador eleito seguiu para um breve encontro com lideranças evangélicas em outro andar do prédio. Ainda assim, aos jornalistas Tarso disse considerar "superada" a pauta de temas religiosos na campanha. "Nossa agenda é o que fazer para maior distribuição de renda e ampliação dos projetos sociais do presidente Lula". Nesta sexta (15), a partir das 10h30min, Tarso volta a se encontrar com lideranças religiosas, no Encontro do Conselho de Ensino Religioso do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No domingo os apoiadores de Dilma pretendem realizar um grande ato no Brique da Redenção, tradicional feira de antiguidades e artesanato da Capital que é também cenário de manifestações artísticas e políticas.

Especial para Terra

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DILMA DESMENTE BOATOS DA INTERNET



Parece que a central de boataria tucana não tem limites. Tem funcionado como nunca nestes últimos dias de campanha eleitoral.

Na semana passada, entre as muitas notícias que em questão de minutos se espalham pela internet, contagiando mentes desavisadas com inverdades, uma criou especial euforia, principalmente entre cristãos que, infelizmente, deixaram-se levar pelos boatos infundados e engrossaram a lista dos disseminadores de spams.

Um texto mal redigido, que não respeita as regras básicas do jornalismo, dizia: “Após a inauguração de um comitê em Minas, Dilma é entrevistada por um jornalista local…” Um comitê em Minas? Que lugar de Minas? Entrevistada por um jornalista local? Que local?

E o texto segue colocando entre aspas uma declaração onde a candidata à Presidência da República, Dilma Roussef, supostamente afirmaria: “Nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória.” A ideia parece ter sido criar entre os cristãos um repúdio à candidata. Boa parte de fato caiu na armadilha e, de forma irresponsável, espalhou a notícia, sem o cuidado de verificar sua veracidade.

Nota divulgada pela assessoria de comunicação de Dilma afirma que a candidata “nunca reconheceu uma vitória antecipadamente. Ao contrário, ela tem dito que pesquisa não ganha eleição, que eleição se ganha na urna”. A assessoria afirma ainda: “É inadmissível que queiram vencer as eleições com base em calúnias e difamações.”

Segundo o coordenador de comunicação da campanha de Dilma e candidato a Deputado Estadual por São Paulo, Rui Falcão, “ela nunca deu esta declaração. É uma calúnia. Dilma respeita todas as religiões e jamais usaria o nome de Cristo em vão. Ainda mais com esse tom de arrogância, que não é do temperamento dela, muito menos de soberba com os eleitores”.

O texto do e-mail que espalhou a informação falsa não menciona nome de veículo nem o tipo de mídia para o qual Dilma teria dado tal declaração, tampouco há algum vídeo ou gravação que comprovem que ela teria dito isso.

Estamos a poucos dias das eleições que vão definir quem será o governante do nosso país pelos próximos 4 anos. A responsabilidade de escolha está nas mãos da população e isso não pode ser feito de forma leviana. As informações positivas que recebemos sobre os candidatos que merecem nossa preferência devem ser tão checadas quanto as informações negativas sobre candidatos que não receberão nosso voto, antes de serem disseminadas. Quem divulga uma inverdade pode corroborar para a criação de um Estado baseado na mentira.
Powered By Blogger

Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.