quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

LEGALIZAR AS DROGAS NÃO É A SAÍDA


O Rio de Janeiro, o Brasil e a comunidade internacional comemoram o sucesso das operações realizadas pelas forças de segurança que, na semana passada, expulsaram os traficantes da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. E todos eles estão certos em festejar este feito, uma vez que o Estado recuperou territórios que há pelo menos três décadas estavam sob controle de forças ilegais. Grupos criminosos que instituíram um poder paralelo nos morros e submeteram as populações locais a uma ditadura baseada na intimidação e violência sem limites. Facções marginais que surgiram e cresceram vitaminadas pela omissão e inoperância dos governantes que estiveram no poder durante este mesmo espaço de tempo.

Mas essa retomada de territórios, que devolve a cidadania a milhões de cariocas, não resolve o problema do tráfico. Os bandidos que escaparam antes da invasão, poderão procurar outras áreas, mudar suas estratégias de atuação e continuar a lucrar com esse comércio ilegal. Sim, porque enquanto houver interessados nos "produtos" oferecidos por estas quadrilhas o tráfico continuará a ser um dos negócios mais lucrativos do mundo.

Por isso, parece-me claro que a próxima batalha dessa guerra contra as drogas será o combate ao consumo. Sim, porque é do dinheiro dos usuários que os traficantes, sejam eles os “Donos do Morro” ou os verdadeiros “Barões das Drogas” que tiram os milhões que financiam a compra de armas, corrompem policiais e políticos ao redor do mundo. Portanto, diminuir o consumo das drogas ilícitas deve ser o objetivo de qualquer sociedade realmente interessada em erradicar a violência causada pelo tráfico.

Para alguns, a única solução seria a descriminalização ou até mesmo a legalização de substâncias como a maconha, a cocaína e a heroína. Essas pessoas argumentam que a guerra do Estado contra o tráfico já está perdida e, portanto, o mais inteligente seria permitir o uso de entorpecentes em locais predeterminados ou mesmo tornas a venda de algumas ou de todas as drogas ilícita um comércio legal, administrado e supervisionado pelo Estado.

Apesar de entender esses argumentos, discordo desta posição. Por isso, fiz uma rápida pesquisa sobre o assunto e abaixo relaciono algumas razões, apresentadas por especialistas no assunto, pelas quais não devemos legalizar as drogas no Brasil:


1. Todas as tentativas de legalizar as drogas, no resto do mundo, fracassaram:


Em 1976 o governo da Holanda determinou o fim da prisão por porte de maconha e liberou a venda em cafés fechados. O consumo da droga no país cresceu 400%, desmentindo a velha noção de que as pessoas gostam mais do que é proibido;

Em 2003, a Inglaterra mergulhou em experiência semelhante à da Holanda. As consequências, novamente, foram desastrosas: a Inglaterra tem o maior número de mortes relacionadas ao uso de drogas na Europa, sobretudo devido à heroína;

Na Suíça tornaram-se caóticos os territórios autorizados para o consumo de drogas, fazendo com que esses locais se tornassem verdadeiros redutos de viciados e aliciadores, que “transportam” a mercadoria para todo do resto do país e nações vizinhas. Ou seja, ao contrário do que alguns pensam, a legalização não acaba com o tráfico. O comércio de drogas, de forma paralela, continua sendo incrivelmente rentável.

Na Espanha, que caminhava para a legalização, fumar maconha continua a ser uma contravenção penal, e cafés ao estilo dos encontrados na Holanda, onde a maconha é vendida e consumida, não são tolerados;

Percebe-se, assim, que apesar do desenho estratégico e do rigoroso controle social do Estado nesses países, as tentativas fracassaram. E o Brasil está apontando a proa na direção de repetir os fracassos alheios.


2. Está comprovado que, com a legalização, as crianças ficam mais expostas ao consumo de drogas:


Para tentar conter que a liberação da maconha abrisse uma porta de entrada para substâncias mais pesadas, o governo inglês passou a prender usuários encontrados fumando perto de crianças ou próximos de escolas, o motivo: pesquisas demonstram que mais de 30% dos adolescentes já experimentaram maconha no país. Por conta disso, cresce o movimento inverso – para voltar a proibir as drogas;

De acordo com dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), o percentual de crianças que já consumiram drogas entre os 10 e os 12 anos de idade é altíssimo: 51,2% usaram álcool; 11%, tabaco; 7,8%, solventes; 2%, ansiolíticos; e 1,8%, anfetamínicos. E isso com crianças entre 10 e 12 anos! Imaginem como seria com a liberação de drogas como maconha e cocaína!


3. Nosso sistema de saúde não dá conta dos dependentes químicos que temos hoje, portanto, o aumento do consumo de drogas, decorrente da legalização, só iria agravar a situação:


Temos um sistema de saúde ineficiente, despreparado, no tratamento a dependentes químicos. Ainda assim, os custos decorrentes do uso indevido de substâncias psicoativas no Brasil são estimados em cerca de US$ 28 bilhões ao ano, entre gastos com tratamento médico, perda de produtividade dos trabalhadores e perdas sociais por mortes prematuras. Os gastos diretos com internações causadas pelo uso dessas substâncias em hospitais do Sistema Único de Saúde ultrapassam R$ 600 milhões ao ano. Se não temos estrutura para lidar com os problemas já existentes, como nosso sistema de saúde poderia dar conta do conseqüente aumento dos usuários, decorrente da legalização?

E tem mais. Não acho que seja justo destinar tanto dinheiro para tratar os dependentes químicos, enquanto outros milhares de brasileiros padecem de uma infinidade de doenças para as quais o tratamento disponível no SUS também deixa muito a desejar.


4. O Brasil, sozinho, jamais poderia legalizar as drogas, pois se tornaria um local condenado pelo resto do mundo:


Ainda que se decidisse legalizar as drogas, apesar dos fracassos que essa ação já teve no resto do mundo, o Brasil não poderia fazê-lo, pois estaria agindo isoladamente. Isso traria dois fluxos indesejáveis – um de drogas para fora: produziríamos legalmente e a droga seria contrabandeada para outros países, tornando o Brasil um grande centro exportador de drogas, inclusive acarretando reação de outros países.

Em segundo, geraria um fluxo contrário, de “narcoturismo”: os dependentes de drogas de outros países viriam consumir drogas legalmente aqui, sem problemas com a polícia. A legalização, portanto, dependeria de uma convenção, como no caso da Convenção Internacional do Fumo. Teria que ser um acordo internacional assinado por vários países e tendo o Brasil como signatário. Pelo menos 40 assinaturas, na ONU (Organizações das Nações Unidas) e OMS (Organização Mundial de Saúde). Daí a impossibilidade prática da legalização.

Há ainda muitas outras razões pelas quais não devemos legalizar as drogas. O leitor vai perceber que nem precisamos citar os motivos de fé, de busca pela lucidez, de violência, a discussão sobre os motivos que levam as pessoas às drogas e muitos outros. Creio que os expostos acima já seriam suficientes para desestimular a legalização.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

OS "INDIGNADOS" DA INTERNET



TEXTO PUBLICADO NO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Por Maria Rita Kehl*


Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos.

Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora.

Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense.

A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos.

O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.



*Maria Rita Kehl: psicanalista, poeta, ensaísta e jornalista. Autora de "A mínima diferença" e "O tempo e o cão". Foi demitida do jornal O Estado de São Paulo após a publicação deste artigo, "por um delito de opinião", conforme suas palavras.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PIRATAS À VISTA

Recebi este texto por e-mail e tomei a liberdade de publicá-lo aqui no Blog. Achei importante para o debate nesta última semana de campanha eleitoral.

Os piratas querem invadir o Pará novamente, temos que proteger nosso ouro, nossos cofres. Esta é uma paródia à peça publicitária da cerveja Cerpa, assinatura da Griffo Comunicação, que detinha as contas publicitárias da Cervejaria Paraense S/A e do governo Jatene à época do escândalo político financeiro envolvendo benefícios fiscais concedidos pelo tucano à cervejaria em troca de propinas.

A Griffo ainda é a detentora da conta da fábrica de bebidas Cerpa e coordena e dirige a atual campanha do ex-governador. A tríade permanece, até hoje, agindo contra os interesses públicos.

Estão se anunciando com muita sede ao pote, para saquear de novo as riquezas do Pará. Os métodos saqueadores e seus personagens se repetem: Jatene com o tapa-olho e gancho na mão é o líder da pirataria em terras paraenses; Orly com a perna-de-pau e cara-de-pau dá ordens de invasão aos cofres públicos; os demais personagens agem movidos pelas ordens.

O escândalo envolvendo o candidato ao governo Simão Jatene foi descoberto numa operação de busca e apreensão do Ministério Público do Trabalho dentro da Cervejaria Paraense S/A (Cerpa): na busca por documentos para comprovar irregularidade no pagamento de funcionários da empresa, os auditores fiscais do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) descobriram entre os arquivos dos computadores da empresa a pasta ‘Pendências’.

Em detalhes, a pasta ‘Pendências’ com descrições dos repasses de R$ 16,5 milhões para o PSDB, que patrocinaram a campanha de Simão Jatene ao governo do Estado. Associada à doação está vultosa renúncia fiscal dedicada à empresa de Karl Seibel para abater dívida ativa da Cerpa.

R$ 4 milhões foram liberados para financiar a campanha de Jatene e R$ 12,5 milhões foram pagos durante o mandato, em troca dos benefícios fiscais concedidos à cervejaria, segundo o Ministério Público Federal.

No primeiro ano do mandato de Jatene, em setembro de 2003, a fábrica da cervejaria ganhou abatimento de 95% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido, tendo ainda prorrogada a benesse por mais 12 anos, além do benefício atingir outras empresas. O caso foi denunciado pelo Ministério Público Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Política de incentivos fiscais tucana na época deve ser explicada pelo ex-governador Jatene e ainda o motivo para que uma empresa inscrita na dívida ativa do Estado há mais de cinco anos, como a Cerpa, tivesse tido direito a tantos e tão generosos benefícios fiscais.

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Pará foi pedida para apurar as acusações financeiras e fiscais entre os dirigentes tucanos e a Cerpa, mas não deu em nada.

Segundo a revista Isto é nem a Santa escapou da maracutaia. “Poucas semanas antes das eleições, a Cerpa repassou R$ 202.050 para a campanha tucana, declarados como patrocínio das festividades do Círio de Nazaré”, publicou. A publicação acrescentou que na prestação de contas oficial junto ao TSE, existem apenas três doadores declarados por Jatene: o próprio PSDB, com R$ 2,5 milhões, e duas empresa pequenas, que doaram irrisórios R$ 32 mil. A Cerpa, que pelos documentos apreendidos doou um total de R$ 16,5 milhões, antes e depois da campanha, não foi sequer citada.

O dono da cervejaria, Karl Konrad Seibel e sua mulher, Jutta, aparecem no banco de dados do MTB Bank movimentando milhões de reais na Suiça, na Ilhas Virgens Britânicas e, de acordo com o Ministério Público, a trajetória indica repatriação clandestina de dinheiro.

A Constituição Federal dispõe no artigo 37, § 4º, que “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.


Luis Otávio
jornalista

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PORQUE DEIXEI DE LER A VEJA




Acima as duas capas da Revista Veja sobre o mesmo assunto: Che Guevara. Passaram-se 10 anos entre a publicação de uma e de outra. A primeira, publicada em 1997, foi feita a partir de uma matéria escrita por Dorrit Harazim, talvez a repórter de maior prestígio no Brasil. Dorrit viajou à Bolívia, onde foi assassinado o Che, e voltou com um texto descritivo, sustentado por carradas de documentos e pelo menos uma dezena de entrevistas. O título: O Triunfo final de Che.

Na reportagem, Dorrit não faz uma apologia do guerrilheiro. Limita-se a investigar as ocorrências de seus últimos dias e tenta explicar como ele se transformou em mito. “Che Guevara tinha tudo para se tornar imortal”, escreveu. “Era bonito, destemido e morreu jovem, defendendo conceitos igualmente jovens, como a solidariedade e a justiça social”.

O texto de 2007 tem como título “Che: Há 40 anos morria o homem e nascia a farsa”. Não é uma reportagem; é um grande artigo disfarçado de reportagem. Os autores não saíram para fazer a matéria e retornaram com a convicção de que Che foi um monstro. Não. Eles partiram da convicção de que Che foi um monstro para escrever a matéria. O texto se propõe a convencer o leitor da tese da revista. A Veja de2007 descreveu o Che desta forma: “Com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível”.

E agora? Em qual Veja devo acreditar? Sei a resposta: na de há 10 anos. Não porque a atual desmoraliza Che Guevara. Pouco me importa Che Guevara. Importa-me a Veja. Criei-me lendo essa revista, leio-a desde o tempo em que ela balizava o jornalismo brasileiro. Acontecia algo grave durante a semana, como, sei lá, uma crise no Senado, e eu ia entender na Veja. Mas, por algum motivo, a Veja mudou. Não falo de Diogo Mainardi ou qualquer outro de seus colunistas. Esses estão emitindo opinião. E fazem-no com competência e talento. Posso até não concordar com o que escrevem, mas não preciso concordar com um colunista para gostar dele. Falo do jornalismo da Veja.

Alguém dirá que nada na imprensa brasileira é confiável. Não é assim. Há veículos que tentam exercer um jornalismo honesto, sobretudo os grandes jornais. A Folha de S. Paulo, com sua independência feroz, chega a se tornar mal-humorada e injusta, como tem sido com Dilma nestas eleições presidenciais. O Estadão é tão comedido, que volta e meia vira empedernido. O Globo procura com tal ânsia a qualidade, que não raro acaba se tornando fútil. Nenhum desses jornais aparenta certezas ideológicas tão arraigadas que os levem a qualificar alguém como “desprezível”. Contam o que está acontecendo de acordo com sua forma peculiar de contar, fiéis inclusive aos seus defeitos. A Veja, não.

A Veja parece preocupada mais em provar seu ponto de vista do que em contar o que está acontecendo. Como, então, posso ter certeza de que a cobertura da crise no Senado, das eleições presidenciais ou de qualquer outro fato relevante não acabe eivada por alguma segunda intenção, como dá a entender a edição reservada ao Che? Um problema que eu, antigo leitor da Veja, resolvi em 2007.

Logo depois de ler o tal artigo disfarçado sobre Che, parei de comprar e de ler a revista. E o pior é que, nos últimos anos, a certeza de que a Veja é totalmente dispensável só se fortaleceu em mim. Basta ver a vexatória cobertura que ela vem fazendo das eleições presidenciais. Parece mais um panfleto de campanha, com sua redação transformadas em comitê tucano, do que um órgão de imoprensa independente. É triste!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ESTÃO PREPARANDO UM GOLPE!

Esta matéria foi pblicada hoje pelo site Terra. Como não achei link direto para o Twitter, acabei copiando aqui para o meu blog. Mas o crédito já está dado.

TARSO COMPARA CAMPANHA DE SERRA A PREPARAÇÃO DO GOLPE DE 64

15 de outubro de 2010 • 08h43

Direto de Porto Alegre

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse, na noite desta quinta-feira (14), em Porto Alegre, que, em relação à disputa presidencial, está havendo "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o então governo estabelecido.

Diante de cerca de duas mil pessoas que lotavam o Salão de Eventos do Hotel Plaza São Rafael na plenária de mobilização da campanha da petista Dilma Rousseff para o segundo turno da eleição presidencial no Estado, Tarso fez críticas duras aos adversários de Dilma na eleição, avaliando que hoje a ameaça é mais grave, porque inclui a "manipulação da informação com cumplicidade da maior parte da grande imprensa". O governador eleito finalizou seu discurso avaliando que a situação pode "redundar em uma eleição ilegítima", na qual um candidato quer se eleger "com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação".

Mesmo sem a presença de Dilma, o PT e os partidos aliados prepararam um grande evento para o que apontam como a "arrancada" da campanha do segundo turno da petista. Nas escadarias, na entrada do prédio e no salão, militantes distribuíam pilhas de adesivos, folders com os 13 compromissos de Dilma e um documento com os principais pontos de organização da campanha no Estado e pré-roteiros das lideranças estaduais até o dia 30 de outubro.

Dentro do salão, na mesa principal, com direito a discurso, estavam, entre os representantes de siglas aliadas, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT), que na eleição estadual concorreu como vice do principal adversário de Tarso, o peemedebista José Fogaça, e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB). Mendes, que coordenou a campanha de Fogaça, chegou à plenária após passar a tarde em uma tensa reunião do PMDB gaúcho na qual foi decidido indicar ao diretório do partido proposta de apoio ao adversário da petista, José Serra (PSDB), mas respeitando os que preferirem Dilma. Em seu discurso, lembrou à plateia a importância de que peça votos.

Zambiasi, que durante seu discurso foi aplaudido de pé pelo público, também recheou as falas de críticas aos adversários na eleição presidencial. Ele começou sua manifestação respondendo a uma pergunta que ficou em suspense durante toda a campanha. "Tarso, eu votei em ti", declarou. Em seguida, disse que os adversários "fracassaram com os trabalhadores e aposentados". "Não venham agora prometer o que não vão cumprir".

Ao final da plenaria, questionado sobre o fato de Serra ter visitado o Estado antes de Dilma neste segundo turno e de a mobilização dos serristas estar bem mais organizada do que no primeiro turno da eleição, Tarso resumiu: "Não nos atemoriza". Ele também minimizou a definição majoritária do PMDB em favor de Serra. "Foi boa, porque liberou os que preferem a Dilma". Além dos partidos que já apoiam a petista no Rio Grande do Sul, Tarso segue em busca de dissidentes em siglas que, no Estado, preferem Serra, como é o caso do PP. "Já conversei com o Mano Changes (deputado estadual do PP, vinculado aos eleitores jovens) e antes do final da semana vamos falar novamente".

Após a plenária, o governador eleito seguiu para um breve encontro com lideranças evangélicas em outro andar do prédio. Ainda assim, aos jornalistas Tarso disse considerar "superada" a pauta de temas religiosos na campanha. "Nossa agenda é o que fazer para maior distribuição de renda e ampliação dos projetos sociais do presidente Lula". Nesta sexta (15), a partir das 10h30min, Tarso volta a se encontrar com lideranças religiosas, no Encontro do Conselho de Ensino Religioso do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No domingo os apoiadores de Dilma pretendem realizar um grande ato no Brique da Redenção, tradicional feira de antiguidades e artesanato da Capital que é também cenário de manifestações artísticas e políticas.

Especial para Terra

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DILMA DESMENTE BOATOS DA INTERNET



Parece que a central de boataria tucana não tem limites. Tem funcionado como nunca nestes últimos dias de campanha eleitoral.

Na semana passada, entre as muitas notícias que em questão de minutos se espalham pela internet, contagiando mentes desavisadas com inverdades, uma criou especial euforia, principalmente entre cristãos que, infelizmente, deixaram-se levar pelos boatos infundados e engrossaram a lista dos disseminadores de spams.

Um texto mal redigido, que não respeita as regras básicas do jornalismo, dizia: “Após a inauguração de um comitê em Minas, Dilma é entrevistada por um jornalista local…” Um comitê em Minas? Que lugar de Minas? Entrevistada por um jornalista local? Que local?

E o texto segue colocando entre aspas uma declaração onde a candidata à Presidência da República, Dilma Roussef, supostamente afirmaria: “Nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória.” A ideia parece ter sido criar entre os cristãos um repúdio à candidata. Boa parte de fato caiu na armadilha e, de forma irresponsável, espalhou a notícia, sem o cuidado de verificar sua veracidade.

Nota divulgada pela assessoria de comunicação de Dilma afirma que a candidata “nunca reconheceu uma vitória antecipadamente. Ao contrário, ela tem dito que pesquisa não ganha eleição, que eleição se ganha na urna”. A assessoria afirma ainda: “É inadmissível que queiram vencer as eleições com base em calúnias e difamações.”

Segundo o coordenador de comunicação da campanha de Dilma e candidato a Deputado Estadual por São Paulo, Rui Falcão, “ela nunca deu esta declaração. É uma calúnia. Dilma respeita todas as religiões e jamais usaria o nome de Cristo em vão. Ainda mais com esse tom de arrogância, que não é do temperamento dela, muito menos de soberba com os eleitores”.

O texto do e-mail que espalhou a informação falsa não menciona nome de veículo nem o tipo de mídia para o qual Dilma teria dado tal declaração, tampouco há algum vídeo ou gravação que comprovem que ela teria dito isso.

Estamos a poucos dias das eleições que vão definir quem será o governante do nosso país pelos próximos 4 anos. A responsabilidade de escolha está nas mãos da população e isso não pode ser feito de forma leviana. As informações positivas que recebemos sobre os candidatos que merecem nossa preferência devem ser tão checadas quanto as informações negativas sobre candidatos que não receberão nosso voto, antes de serem disseminadas. Quem divulga uma inverdade pode corroborar para a criação de um Estado baseado na mentira.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

HILDE SABE TUDO

Essa entrevista concedida pela colunista Hildegar Angel à Carta Capital é tão boa que resolvi quebrar o silêncio do blog com ela. Deleitem-se ou enfureçam-se. Isso vai depender do viés político do cliente.

Hildegard Angel: "só a elite não produtiva rejeita Lula e Dilma".

Enquanto seu irmão Stuart era preso e morto pela ditadura, em 1971, a jovem Hildegard Angel iniciava trajetória oposta, no colunismo social do jornal O Globo, onde trabalharia, entre idas e vindas, por quase 40 anos. Em 1976, quando a mãe dos dois, a estilista Zuzu, foi assassinada pelo regime em um “acidente” de carro, Hildegard já era uma jornalista conhecida e atriz de TV.
Não deixa de ser interessante que, aos 60 anos, recém-saída do extinto Jornal do Brasil (agora só on-line), assuma uma postura de franco-atiradora. Suas armas são um blog e o Twitter. Seus alvos: a mídia e a preferência pelo candidato José Serra, do PSDB. No mês passado, ela declarou voto em Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando.

Na entrevista concedida a Cynara Menezes, da CartaCapital, em sua cobertura de frente para o mar em Copacabana, Hildegard Angel — criadora do termo “emergente” para definir os novos ricos cariocas — diz que Lula sofre preconceito por ser um deles, na política. “Já o Serra é o valoroso self-made-man”, ironiza.

CartaCapital: Por que a senhora decidiu apoiar Dilma Rousseff?
Hildegard Angel: Ela estava sendo tão massacrada que achei ser o momento de me posicionar. Era um bombardeio de e-mails, de sobrenomes coroadíssimos, atacando a Dilma. Começaram denegrindo pelo físico, que ela era feia, horrorosa, megera, medonha. Aí ela ficou bonita e não puderam mais falar.

Então começaram a atacar a parte moral, que ela é assassina, terrorista, ladra. Isso é um reflexo da impunidade. Enquanto não colocarmos nos devidos lugares os que foram responsáveis pelas atrocidades da ditadura, eles vão se sentir no direito de forjar uma realidade inexistente, de denegrir nossos mártires, nossos heróis.

CartaCapital: Antes desta eleição, a senhora já tinha se posicionado politicamente?
Hildegard Angel: Não. Em nível nacional é a primeira vez. E acho que meu depoimento e o almoço que a Lily Marinho (viúva de Roberto Marinho) promoveu romperam o círculo “demonizante” erguido em torno da Dilma. Ali se fez uma fissura. A classe alta pensante e os ricos mais liberais se permitiram uma abertura.

CartaCapital: Lily Marinho apoia Dilma?
Hildegard Angel: A Lily passou a apoiar Dilma depois que a conheceu. Quando ela fez o almoço pra Dilma, estava agindo como a mulher do Roberto Marinho, que está acima do bem e do mal e que pode se dar ao luxo de receber quem bem entende. Mas a Dilma conquistou a Lily. Antes do almoço, podia até haver a ideia de receber também os outros candidatos. Depois, não havia mais.

CartaCapital: Houve reação dos filhos de Roberto Marinho pela madrasta ter recebido a candidata do PT?
Hildegard Angel: A Lily tem uma relação tão harmoniosa, tão respeitosa com eles, que acho que jamais teriam qualquer tipo de reação. O jornal e toda a organização têm sido muito duros com a Dilma. A única matéria positiva sobre ela, até hoje em O Globo, da primeira até a última palavra, foi a do almoço com a Lily.

CartaCapital: Há quatro anos o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo criticou a “elite branca”. A senhora acha que ele falava só da paulistana ou da carioca também?
Hildegard Angel: Da elite brasileira como um todo. É uma elite preconceituosa, que tem seus valores, seus princípios, e acha muito difícil abrir mão de suas convicções.

CartaCapital: Que tipo de rico tem preconceito com o Lula?
Hildegard Angel: O rico do passado, da herança, do aluguel, muito apegado a tradições, a sobrenome. É, na maioria, uma elite não produtiva. Porque a elite produtiva, o homem que emprega, que gera progresso, desenvolvimento, não deixa de aplaudir o Lula. Mas, às vezes, a mulher deste homem não aplaude…

Diplomatas aposentados também têm preconceito com Lula. O Itamaraty sempre foi o filé mignon do serviço público brasileiro, pela cultura, pela erudição, pelo savoir faire. E a política externa atual vai na contramão disso tudo. Esse é um segmento social que rejeita o Lula, o dos punhos de renda.

CartaCapital: Nos círculos que frequenta, ainda há gente que faz piada com a origem humilde de Lula?
Hildegard Angel: O vaivém dos e-mails de gente da classe A contra o Lula é de uma variedade enorme… Por exemplo, as festas caipiras do Lula incomodaram muito. Já a Zuzu Angel sempre viu uma beleza extraordinária na caipirice, tanto que foi a primeira a usar as rendas do Norte, a misturar com organza, a usar as chitas, hoje tão na moda. Minha mãe tinha uma frase: a moda brasileira só será internacional se for legítima. Por isso foi a primeira a ter penetração no exterior. De certa forma, o Lula, com as festas caipiras dele, fez o que a Zuzu fez em 1960 com a moda caipira dela.

CartaCapital: Serra também tem origem humilde. Por que não existe esse preconceito contra ele?
Hildegard Angel: Porque o perfil do Lula se encaixa mais no do emergente. O do Serra é o do valoroso self-made man… O Serra, para ser o homem que é, teve de dominar os códigos da elite, pelo estudo, pela convivência com pessoas intelectualmente superiores. Já o Lula foi abrindo caminho na base da cotovelada. E, de certa maneira, se manteve fiel à sua raça. Não se transformou com a ascensão, não se desligou, guardou seu ranço de pobreza, a memória do sofrimento. Isso o tornou mais sensível.

CartaCapital: E por outro lado o faz ser malvisto?
Hildegard Angel: Sim, porque nunca será um igual, nem faz questão. A dona Marisa Letícia nunca abriu seus salões. Durante o governo FHC, fui inúmeras vezes convidada para recepções no Itamaraty e, em governos anteriores, até no Palácio da Alvorada. No governo Lula, só fui convidada uma vez, para o Itamaraty. Black-tie nunca existiu. Isso cria uma limitação de trânsito social. Não há uma interação para esta sociedade se inserir dentro de uma linguagem que não seja de gabinete junto à família Lula.

CartaCapital: Ainda tem muito preconceito de classe no Brasil?
Hildegard Angel: Cada vez menos, mas tem. O que Lula sofre é preconceito de classe, mas está sendo superado por ele mesmo. Essa possível vitória da Dilma mostra que não é só o povão, não só aqueles que melhoraram de situação. Tem muito rico pensando diferente, saindo do casulo, desse gueto de pensamento.

CartaCapital: O interessante é que o dinheiro também tem de ser bem-nascido. De padaria, de marmita, não é dinheiro “bom”?
Hildegard Angel: O dinheiro do comércio sempre foi visto no Brasil como um dinheiro sem base cultural, de origem ruim. Já o dinheiro da indústria, da área financeira, era “digno”. Agora, com a falta generalizada de dinheiro no meio dos que eram muito ricos, estas pessoas com dinheiro de origem menos nobre conseguiram uma posição de respeitabilidade no ambiente social.

CartaCapital: Os emergentes são mais respeitados?
Hildegard Angel: São mais aceitos, embora o verdadeiro emergente não esteja mais preocupado com isso. O verdadeiro emergente não tem aquelas veleidades do nouveau riche de antigamente. O nouveau riche de ontem queria entrar para o soçaite, queria que seus filhos estudassem com os filhos do soçaite, tinham aquela visão encantada de alta sociedade.

O emergente de hoje tem mais noção do seu poder, não é tão submisso. Com o empobrecimento do rico tradicional, o rico do dinheiro novo se achou numa posição de não precisar fazer tanto a corte a essas pessoas.

CartaCapital: O dinheiro de Eike Batista, por exemplo, é “nobre”?
Hildegard Angel: Culturalmente falando, sim. Ele é filho de Eliezer Batista, que tinha grande status no País há muitas décadas. O que acontece é que o Eike sabe muito bem o que quer. Gosta de esporte, de mulher bonita, dos filhos e do trabalho dele. Sua vida é um retrato disso. Tem um carro espetacular de corrida na sala, tem casa decorada com troféus das suas lanchas. Ele poderia ter um Picasso, mas não é aquele rico tradicional.

Nós temos no país essa classe da riqueza envergonhada, que não tem muito como explicar o seu dinheiro, da riqueza escondida, que não pode ser fotografada… E o Eike, como tudo dele, acredito, seja declarado lá no imposto, pode expor seu dinheiro. Ele é o rico da riqueza assumida.

CartaCapital: O jornalista Mauricio Stycer estudou a coluna de Cesar Giobbi no Estadão em 2002, quando Lula se candidatou pela primeira vez, e concluiu que o colunista fez campanha disfarçada para Serra. Isso é comum?
Hildegard Angel: Ah, a Miriam Leitão também faz… É comum o colunista ter afinidade com o veículo e ter uma linha de raciocínio que vai ao encontro da dele e ao meio em que convive. O Giobbi é uma pessoa estimadíssima na alta sociedade paulistana, não é visto nem como jornalista, é visto como “da turma”. A Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo) não é vista como uma “da turma”. O Giobbi é um do time, então raciocina de acordo com seu time.

CartaCapital: Dos colunistas sociais clássicos, como Ibrahim Sued, tinha algum que era mais de esquerda?
Hildegard Angel: O Zózimo (Barroso do Amaral) era visto à esquerda, mas era muito discreto — eu nunca o vi se posicionar ostensivamente na contramão do seu grupo social. Isso não existe. Havia na época uma coisa charmosa, atraente, um esquerdismo light, fazia parte do put together da elegância.

CartaCapital: Manifestar-se politicamente agora a recoloca mais no caminho do Stuart e da Zuzu?
Hildegard Angel: Sinto-me um pouco refém da coragem da minha família, é como se tivesse retomado meu curso. Como se cumprisse uma trajetória que estava ali me esperando, neste momento que as pessoas se acomodaram, que estão submetidas a seus empregos, todas colocadas na grande imprensa, com uma posição monocórdia, um pensamento único.

CartaCapital: Pretende se tornar uma guerrilheira on-line?
Hildegard Angel: Eu seria muito pretensiosa e desrespeitosa se de alguma maneira usasse essa qualificação de guerrilheira. Guerrilheiro foi meu irmão. Eu não fui. Estou tirando o atraso, só isso.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

SCHUMI VIGARISTA

Quando Michael Schumacher anunciou sua volta à Fórmula 1, dessa vez pela Mercedes, muitos disseram que ele corria o risco de, se fosse mal, apagar tudo o que havia conquistado na categoria. Essa, na minha opinião, era uma afirmativa falsa. As conquistas do alemão estão registradas, catalogadas, documentadas. Ninguém tira dele.



Mas tenho uma ressalva: o Schumacher pode sim botar todas as suas conquistas no ralo se continuar com atitudes como a do GP da Hungria, quando poderia ter até matado o Rubens Barrichello. Menos mal que ele veio a público nesta segunda para se desculpar com o brasileiro. Revendo as imagens no teipe, o Schumacher admitiu que pressionou o Rubinho além da conta.

Repito, se o homem continuar com essas presepadas, vai ficar marcado apenas por ser um Dick Vigarista na vida real, apagando tudo o que já conquistou. E o que é pior, saindo como o causador de uma tragédia nas pistas.

E faltou pouco para que isso ocorresse, de fato, no GP da Hungria. No momento da perigosa fechada, se Rubinho tivesse subido na roda traseira da Mercedes, decolaria e poderia ter caído dentro dos boxes, ferindo-se gravemente ou até atingindo um meânico ou fiscal de prova.

Após a corrida, Rubinho disse que o Schumacher “é um louco solto por aí”. E disse mais: “o que adianta uma pessoa voltar depois de três anos parado para fazer uma coisa destas? O Michael Schumacher não mudou. Ainda é o mesmo”.

Pois é. Eu pensei uma coisa assim quando o Schumacher atravessou a Ferrari na Rascasse de Monte Carlo para que o Fernando Alonso não pudesse passar, garantindo assim a primeira posição no treino de classificação. Era seu último ano antes da aposentadoria, e há horas o alemão não fazia uma coisas daquelas.

Mas, não adianta, o monstro surgido naquela batida criminosa para ganhar o título de Damon Hill, em 1994, pode ficar adormecido dentro do grande heptacampeão. Mas esse monstro pode retornar a qualquer momento. Voltou em cima do Jacques Villeneuve, em 1997, e voltou neste ano na fechada em cima de seu “brother” Felipe Massa, no Canadá, e na Hungria, em cima de seu antigo companheiro de Ferrari.

Realmente, o Rubinho tem razão: adianta voltar à F1 para fazer uma coisa destas?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ESSA É PRA QUEM ACHA QUE RELIGIÃO É SÓ PAZ E AMOR

Confira na relação abaixo uma coleção de algumas das mais notáveis atrocidades encontradas na Bíblia Cristã:



ÊXODO 21:20-21 Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente. (OU SEJA, A ESCRAVIDÃO É PERFEITAMENTE ACEITÁVEL NA BÍBLIA)

ÊXODO 22:17 “Não deixarás viver nenhuma feiticeira." (A INQUISIÇÃO SEGUIU À RISCA ISSO AQUI)

ÊXODO 32:27 "Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu próximo. E os filhos de Levi fizeram conforme a palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns 3.000 homens." (CHACINA PIOR QUE AS DOS TRAFICANTES)

LEVÍTICO 26:29, DEUTERONOMIO 28:53, JEREMIAS 19:9, EZEQUIEL 5:8-10 Como punição, o Senhor fará com que as pessoas comam a carne de seus próprios filhos, filhas, pais e amigos. (NOSSA, AQUI O CANIBALISMO APARECE DE FORMA TRIUNFAL)

NUMEROS 12:1-10 Deus faz com que Miriam fique leprosa por sete dias por ela e Arão terem falado mal de Moisés. (SÓ PORQUE FALOU MAL?)

NUMEROS 15:32-36 Um homem que no Sábado estava pegando gravetos de lenha para uma simples fogueira é apedrejado até a morte segundo a ordem de Deus. (AI DE QUEM TRABALHAR NO SÁBADO POR AÍ, HEIN?)

NUMEROS 16:49 Uma praga divina mata 14.700 pessoas. (DEVIAM SER TODOS PESSOAS RUINS...)

NUMEROS 21:3 Com o apoio divino os Israelitas destroem todos os Cananeus. (QUE APOIO DE PESO, HEIN?)

NUMEROS 21:6 Deus manda serpentes ardentes para matar muitos Israelitas. (POR QUE TEM QUE MANDAR SERPENTES? POR QUE ELE NÃO PULVERIZA OS ISRAELITAS DE UMA VEZ?)

NUMEROS 21:35 Com o apoio divino os Israelitas matam Ogue, seus filhos e todo o seu povo até não haver sequer um sobrevivente. (INCLUINDO BEBEZINHOS DE COLO, QUE DEVEM SER PECADORES EXTREMOS)

NUMEROS 25:8 "Com uma lança Finéias vai até uma tenda e mata um próprio israelita e a sua mulher ferindo-os na barriga, cessando assim a praga sobre os filhos de Israel" (QUE PRAGA ERA ESSA?)

NUMEROS 25:9 Uma outra praga divina mata 24.000 pessoas. (NOVAMENTE DEVIAM SER TODOS PESSOAS RUINS...)

NUMEROS 31:17-18 Moisés, seguindo ordem divina, ordena que os Israelitas matem todos os filhos homens dos Midianitas e todas as mulheres que já tenham conhecido homem. (UFA, AS VIRGENS FORAM POUPADAS)

NUMEROS 31:31-40 Os Israelitas capturam 32.000 virgens como pilhagem na guerra. 32 são colocadas de lado como um tributo ao Senhor. (XIIII, RETIRO O QUE EU DISSE NO COMENTÁRIO ANTERIOR...)

DEUTERONOMIO 2:33-34 Os Israelitas destroem completamente os homens, mulheres e crianças de Siom. (ROLO COMPRESSOR)

DEUTERONOMIO 7:2 Deus dá conselho aos Israelitas para destruir totalmente, sem piedade, todos que tiverem que enfrentar. (FOI SÓ UM CONSELHO, HEIN?)

DEUTERONOMIO 20:13 "E, se o Senhor, teu Deus, a entregar nas tuas mãos, passarás a fio de espada todos os seus varões. As mulheres, porém, as crianças, o gado e tudo o que houver na cidade, todos os seus despojos, os tomarás para ti, e desfrutarás da presa dos teus inimigos, que o Senhor, teu Deus, te houver entregue". (QUE FARTURA!)

DEUTERONOMIO 20:16 "Das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida". (DESSA VEZ NEM OS BICHINHOS FORAM POUPADOS...)

DEUTERONOMIO 21:10-13 A mulher prisioneira: Com aprovação divina, os Israelitas podem pegar as "mulheres formosas" do inimigo e as levarem para suas casas para serem suas mulheres. Suas cabeças devem ser raspadas e suas unhas devem ser cortadas e depois "entrarás a ela e tu serás teu marido e ela tua mulher". Caso não se contente com ela, podem deixá-la partir, desde que não a vendam. (ELES TINHAM TARA POR MULHERES CARECAS? NÃO ENTENDI ESSA...)

DEUTERONOMIO 28:53 "E comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas que te der o Senhor teu Deus, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão". (CANIBALISMO DE NOVO?)

JOSUÉ 6:21-27 Com aprovação divina, Josué destrói com fio da espada os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó. (FOI O CHEFE QUE MANDOU)

JOSUÉ 8:22-25 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Ai, matando 12.000 homens e mulheres, sem que nenhum escapasse. (AIIIIIIIIII)

JOSUÉ 10:10-27 Com aprovação divina, Josué destrói todo os Gibeonitas.
JOSUÉ 10:28 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Maqueda.
JOSUÉ 10:30 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Libna.
JOSUÉ 10:32-33 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Laquis.
JOSUÉ 10:34-35 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Eglom.
JOSUÉ 10:36-37 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Hebrom.
JOSUÉ 10:38-39 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Debir.
JOSUÉ 11:21-23 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Anakim.

(DE NOVO, EM TODOS ESSES CASOS FOI O CHEFE QUE MANDOU HEIN?)

JOSUÉ 11:6 O senhor ordena o mutilamento (corte dos tendões das pernas) dos cavalos. (E O HIPISMO FOI PROIBIDO)

JUÍZES 1:6 Com aprovação divina, Judá persegue Adoní-Bezeque e lhe corta os polegares e os dedões do pé. (POLEGAR E DEDÃO NÃO É A MESMA COISA?)

JUÍZES 19:22-29 Um grupo de depravados sexuais batem na porta de um ancião pedindo para que ele lhes entregue um homem que ali tinha entrado. Ao invés disso o homem lhes oferece sua filha virgem e a concubina do homem. "Eis que a minha filha virgem e a concubina dele tirarei para fora ; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem
aos vossos olhos, porem a este homem não façais loucura semelhante." O homem lhes entrega a concubina. Eles a usam até o amanhecer. Depois disso o homem corta seu corpo em doze partes e envia cada uma das partes para cada uma das doze tribos de Israel. (QUE ISSO, PRIMEIRO ROTEIRO DE FILME DE TERROR DA HISTÓRIA????)

SAMUEL II 4:12 David manda matar Recabe e Baaná e manda lhes cortar suas mãos e seus pés e pendurar seus corpos sobre um tanque.
SAMUEL II 8:4 David mutila inúmeros cavalos, cortando-lhes os tendões,.
SAMUEL II 8:5 David mata 22.000 Sírios.
SAMUEL II 8:13 David mata 18,000 Edomitas no vale do sal e faz o restante de escravos.
SAMUEL II 10:18 David mata mais de 40.000 Sírios.
SAMUEL II 11:14-27 David arma um plano para matar Urias de forma que possa desposar sua esposa. (DAVI ERA "BONZINHO" NÉ?)

SAMUEL II 12:1, 19 Deus mata o filho de David pelos pecados que ele cometera. (O FILHO É MORTO PELOS PECADOS QUE COMETEU, MAS O PAI ERA UM PURO,NÉ?)

SAMUEL II 24:15 Deus manda uma peste que mata 70.000 homens em Israel. (COMO TINHA PESTE NAQUELA ÉPOCA)

REIS I 13:15-24 Um homem é morto por um leão por ter comido pão e bebido água num lugar onde o Senhor lhe tinha proibido. Isso apesar do fato do homem ter sido enganado por um profeta que lhe dissera que um anjo do Senhor o tinha permitido comer e beber naquele local. (MAS SE O CARA FOI ENGANADO, DEUS NÃO DEVERIA RELEVAR? AFINAL ELE É ONISCIENTE)

REIS I 20:29-30 Os Israelitas matam 100.000 Sírios em um dia. Um muro cai em cima dos 27.000 Sírios restantes. (AHHHH, ESSES 27.000 ACHARAM QUE TINHAM SE DADO BEM, HEIN???)

REIS II 19:35 Um anjo do Senhor mata 185.000 assírios numa só noite. (ANJO BACANA ESSE)

PS 137:9 Feliz o homem que arrebentar os seus filhinhos de encontro às rochas. (SEM COMENTÁRIOS)

ISAIAS 14:21-22 "Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seUs pais." (INTERESSANTE)

EZEQUIEL 9:4-6 Ordem do Senhor: "sem compaixão... matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los...." (A SANHA ASSASSINA PARECE QUE NÃO TERMINA NUNCA)

EZEQUIEL 21:3-4 O Senhor diz que exterminará tanto o justo quanto o ímpio, ferindo-lhes a carne com sua espada. (DE QUE ADIANTA SER JUSTO ENTÃO?)

EZEQUIEL 23:25, 47 Deus irá matar os filhos e as filhas de todas que foram prostitutas. (AÍ EU CONCORDO, FILHO DA PUTA TEM MAIS É QUE MORRER!!)

MATEUS 10:21 "... e o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão... e odiados todos sereis por causa de meu nome." (PRA ENCERRAR, ESSA FOI JESUS QUE FALOU!)


MAS NÃO ESQUEÇAM, DEUS É AMOR E A BÍBLIA É A PALAVRA DELE...

Fonte: blog Rotweiller de Darwin

quarta-feira, 7 de julho de 2010

LARANJA MECÂNICA OU FÚRIA?

Depois de 12 anos, o mundo verá surgir um novo campeão.

A oitava seleção nacional a ser campeã mundial de futebol será conhecida em 11 de julho, no Soccer City, em Joanesburgo. No inesperado epílogo da Copa do Mundo da África do Sul.

E lá estará a Fúria. O time se recuperou de forma sólida após a desastrosa estreia contra a Suíça, quando saiu de campo derrotado mesmo tendo apresentado um melhor futebol que o adversário. Parecia que fara mais uma vez valer o velho rótulo de “amarelão”.

Mas depois daqule jogo, o time dirigido por Vicente Del Bosque esbanjou eficiência e hoje venceu o terceiro jogo seguido por 1 a 0 na fase mata-mata do Mundial.

O bonito toque de bola dos espanhóis até empolga, em um estilo de jogo incomum para o futebol atual.

Foi assim diante de portugueses e paraguaios. E agora contra os alemães, favoritos na semifinal.

Nesta quarta, em Durban, a Espanha envolveu completamente o time germânico, que esteve longe do bom futebol mostrado nas fases anteriores.

A escalação de Pedro, aberto pela direita, combinada a presença de Capdevilla na esquerda, além de ter mantido os laterais Lahm e Boateng pregados na linha defensivo, também fez o melhor jogador da Copa até o momento, Schweinsteiger, atuar recuado, como se fosse um mero cabeça-de-área.

Foi isso que quebrou o volume de jogo germânico, que já não contava com Thomas Müller, um dos pilares do esquema montado por Joachim Low.

Assim, a vencedora da Eurocopa de 2008 está a um jogo de ratificar uma campanha incrível neste período, com o capítulo final escrito “título mundial”.

Um feito inédito para os espanhóis. Mas será, também, uma conquista inédita para a Holanda. O mundo da bola terá uma nova dinastia. Laranja Mecânica ou Fúria? Abaixo, a lista de novos campeões da Copa do Mundo. Estamos nela há 52 anos.

1930 – Uruguai
1934 – Itália
1954 – Alemanha
1958 – Brasil
1966 – Inglaterra
1978 – Argentina
1998 – França
2010 – Holanda ou Espanha?

domingo, 4 de julho de 2010

O FIM DO GRUPO DE GUERREIROS

Agora não adianta mais chorar sobre o leite derramado, lamentar que Dunga tenha sido o treinador da Seleção Brasileira ou xingar o Felipe Melo. Tinha de ter-se acordado antes. E avisos não faltaram. Pena que os alertas foram confundidos com "torcida contra", com "secação" e, pelos mais obtusos, com "falta de patriotismo".

Neste momento de recomeço o que tem que ser destacado e louvado é o fim de duas ideias que fizeram muito mal ao futebol brasileiro nos últimos quatro anos.



A primeira é a queda da filosofia dos "guerreiros", incentivada por Dunga e pela nefasta campanha da Brahma. Filosofia que para muitos era necessária após o fracasso na Copa da Alemanha, na qual alguns jogadores foram acusados de "estrelismo".

Mas a verdade é que o "sangue nos olhos" que muitos aplaudiram acabou por provocar a pane mental no segundo tempo da partida de sexta-feira passada.

Desde o início do jogo, aliás, os jogadores brasileiros demonstravam descontrole emocional. Até o sempre bem-humorado Robinho aparecia vociferando contra o trio de arbitragem e quase agredindo os adversários.

O descontrole emocional, espelhado do lado de fora do gramado por Dunga, chegou ao auge na expulsão de Felipe Melo, após pisar a coxa direita de Robben.

A Holanda nos venceu porque levou esportistas para a Copa e não guerreiros. Uma partida de futebol só é uma batalha no sentido figurado. Parece um raciocínio simples, mas que foi esquecido por boa parte dos brasileiros nos últimos meses. Assim como foi esquecido o jeito brasileiro de jogar futebol.

Neste sentido, a Argentina sai da Copa de forma mais digna do que o Brasil, já que perdeu jogando no seu estilo e não no dos outros.



O outro ponto positivo no fracasso foi o sepultamento para sempre da ideia de "grupo fechado".

Com o Parreira, chegou-se à conclusão de que houve farra demais entre os jogadores, houve falta de compenetração nos treinos e nas concentrações, esculhambação nas entrevistas.

E agora, que foi o contrário? Os jogadores sendo condenados a uma clausura franciscana, afastados da imprensa como se ela fosse inimiga mortal deles, integrados ao grupo como se fizessem parte de uma seita, confinados a um colóquio exclusivo com Dunga e o "ungido" Jorginho.

É grupo para cá e grupo para lá. Passa a ideia de que nem precisa trabalhar ou que se pode desprezar os talentos, como Neimar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho, que o grupo resolve tudo.

Garantia-se que bastava um grupo fechado, afastado dos jornalistas, e um treinador brutamontes e se conseguiria o título. Pois bem, o que se viu foi que o grupo era grupo.



Com o Parreira se sabe o que foi. E o que foi agora com o Dunga? Será que com o Parreira foi comando frouxo e, agora com o Dunga, foi comando excessivamente férreo?

Não interessa!

O que interessa, como diziam os dunguistas, são os números.

Pois bem, jogando do jeito Dunga, o Brasil venceu a Copa América e a Copa das Confederações. Mas o Parreira, em 2006, também venceu as mesmas competições.

No final, os dois treinadores fracassaram na mesma fase da Copa do Mundo. Mas o time comandado pelo treinador do Tetra ficou em quinto lugar, enquanto Dunga terminou em sexto, pior colocação desde 1990, quando o Brasil ficou em nono após cair nas oitavas.

Foi o fim perfeito para a terceira Era Dunga!

UMA ARARA PARA 2014

Após ter vazado pela internet, mesmo sem a confirmação oficial da CBF ou da Fifa, a suposta logomarca do Mundial de 2014, no Brasil, não agradou a maioria das pessoas que a viram. Eu mesmo não gostei. Agora surge uma nova versão. Pelo menos no mundo virtual.

Motivo de muitas críticas e até de algumas brincadeiras, a primeira versão do que seria o logo oficial de 2014 era formado por três mãos entrelaçadas em um formato que lembra a taça Fifa entregue ao Campeão Mundial desde 1974.



A outra versão - criada e patenteada por Gabriel Nielsen - traz uma arara nas cores verde, amarelo, azul, branco e vermelho em um formato, dizem alguns, que lembra o formato do mapa do Brasil. Consta que o logo teria sido enviado a patrocinadores da CBF, antecipando o lançamento oficial, e teria vazado para a imprensa.



Abaixo a justificativa do projeto da arara

"(…) a logomarca que meio & mensagem obteve com exclusividade. uma arara com um contorno que lembra o mapa do brasil com as cores amarela, verde, azul, branco e vermelho - mesmas usadas na logo que o governo escolheu para estampar a marca brasil - será o símbolo que identificará todos os produtos licenciados, assim como a assinatura de todas as campanhas dos patrocinadores oficiais. o ano de 2014 aparece abaixo da arara, no mesmo formato usado no logo da candidatura brasileira aprovada pela fifa em outubro de 2007. nem fifa nem cbf confirmam que este será o logo, mas o desenho segue modelo semelhante aos adotados nas últimas copas.”

O anúncio do logo oficial do mundial de 2014 será feito na África do Sul na próxima quinta-feira (8), em evento que contará copm a presença de várias autoridades, na casa Brasil, em Joanesburgo.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O FUTEBOL PRECISA DA TECNOLOGIA

Diferente de outros cronistas esportivos, devo confessar que tenho alguma simpatia pelos “velhinhos” da Fifa, ou melhor, os integrantes da International Board. Um grupo que decide, de tempos em tempos, se o futebol deve ou não mudar alguma de suas regras. Na maioria das vezes, eles tomam a decisão correta. Uma prova disso é o sucesso do futebol nos cinco continentes.



Pois bem, estes mesmos “velhinhos” são aqueles que me negam a enxergar que o futebol precisa utilizar a tecnologia disponível para evitar que erros de arbitragem, como os ocorridos nos dois jogos de ontem, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, voltem a manchar a disputa mais importante do esporte mais popular do planeta.

A FIFA está correta em afirmar que o uso do vídeo e possíveis mudanças nas regras devem ser discutidos com muito critério, mas já passou, e muito, da hora de fazer algo para auxiliar a arbitragem. A primeira mudança, e mais urgente, deveria ser o uso da tecnologia para ajudar em lances duvidosos. Algo já usado no Tênis e no Futebol Americano, por exemplo.

Imaginava-se que depois da escandalosa mão na bola que classificou a França ao Mundial da África do Sul, a entidade se reuniu para discutir formas de facilitar o trabalho dos juízes de futebol. Como já é de praxe, a Federação resolveu não modificar nada.

A inovação deve ser usada principalmente porque há determinados lances em que houve erro não por incompetência, ou má fé, do homem do apito, mas sim por limitação humana. Tomemos como exemplo o lance do primeiro gol da Argentina, contra o México. Na velocidade em que a jogada aconteceu, pouquíssimos árbitros conseguiriam ter certeza se Tévez estava mesmo à frente no momento em que completou de cabeça o toque de Messi.

Quando isso acontece, o assistente age muito mais no feeling, ou na sorte, do que no critério técnico. Até os narradores e comentaristas de televisão ficam na dúvida para afirmar a validade de algumas jogadas.



Já no caso do gol da Inglaterra, no qual a bola chutada por Lampard tocou a trave e caiu claramente dentro da meta alemã,a solução seria bem mais simples. Era só colocar na bola o tal chip que já foi testado em competições anteriores, como os Mundiais Sub-20 e Sub-17. Se bem que um bom par de óculos já resolveria parte do problema.



E é exatamente em casos como estes que a tecnologia viria para contribuir positivamente para o futebol. Enquanto o público e a mídia têm acesso a dezenas de câmeras que mostram o lance sobre todos os ângulos e com repetições quantas vezes forem necessárias, o árbitro tem que decidir tudo ali, sozinho, sem qualquer outro auxílio, além dos bandeirinhas.

O tão polêmico "passe de mão" do atacante francês Thierry Henry, contra a Irlanda, pelas Eliminatórias Européias da Copa do Mundo de 2010, não teria feito tanto estrago se o vídeo fosse usado para julgar o lance. Este histórico erro foi causado por limitação humana, pois juiz não tinha como ver a jogada com tantos jogadores dentro da área encobrindo sua visão. O ser humano tem apenas dois olhos, enquanto que um estádio chega a ter mais de 30 câmeras – 32 nos caso dos jogos desta Copa.



DESAFIO

Para evitar o uso indiscriminado do vídeo durante a partida, uma alternativa é o sistema de "desafio", como é feito no Futebol Americano. Assim que ocorre um lance duvidoso, o técnico que achar que o juiz errou desafia o homem do apito. Após consultar o vídeo, se o treinador estiver correto, o juiz volta atrás na decisão; mas se o desafiador estiver errado, ele perde direito a um tempo técnico.

Os pedidos de desafios são limitados para que a partida não pare a todo instante. No nosso tão querido “soccer”, a “troca” no desafio poderia ser utilizada de outra forma, com a inversão da posse de bola, cartão amarelo ao jogador que reclamar ou outras possibilidades. De qualquer forma, é algo que já deveria ter sido discutido pela FIFA.

O vídeo também não vai substituir o árbitro e só deve ser utilizado em lances objetivos, como impedimento, se o pênalti foi dentro ou fora da área, se a bola entrou no gol, determinadas jogadas em que o juiz não viu, entre outros. Mas este recurso não pode ser utilizado para saber se houve uma penalidade, se alguma jogada merece cartão vermelho ou qualquer outro caso exclusivo da interpretação do homem do apito.



FALÁCIA

Além da pressão, cobrança e desconfiança, a arbitragem convive com outro problema: a falta de profissionalização. É inconcebível que num esporte tão profissional como o futebol, uma das funções mais importantes ainda é considerada amadora. No mundo inteiro, com exceção da Inglaterra, os juízes e auxiliares não tem a profissão regulamentada por lei.

Os homens do apito e das bandeirinhas trabalham em outros ramos. São poucos os que conseguem viver com os cachês por partida que recebem. Desta forma, muitos não têm o tempo necessário para se dedicar àquilo que deveria ser a sua profissão. As federações deveriam se preocupar com essas questões e não apenas suspender árbitros que cometem erro.

A função de apitar uma partida de futebol é uma das mais ingratas e injustas do mundo. Os juízes são massacrados pela mídia, pelos torcedores, por dirigentes irresponsáveis e até pelas federações.

Enquanto isso, a FIFA nada faz. Os juízes, por sua vez, ficam sujeitos aos seus próprios limites humanos e, por diversas vezes, são indevidamente culpados. Enquanto não houver mudanças, os erros de arbitragem continuarão ganhando mais destaque que o próprio futebol e alimentando umas das “falácias” mais cretinas do esporte mundial.

O pensamento obtuso, repetido como um mantra pelos membros mais conservadores da Fifa, de que o futebol perderia muito de sua graça com o suposto fim das polêmicas de arbitragem. Algo que é facilmente desmentido pelos índices cada vez mais crescentes de audiência, público e faturamento publicitário da NFL, a principal liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos.

Para se ter uma ideia, a NFL é a liga esportiva mais rica do mundo, , com uma receita de quase 7,5 bilhões de dólares na temporadsa 2009. Número que supera com folga a NBA, liga norte-americana de basquete, a Major League, liga norte-americana de beisebol e as principais ligas de futebol – a Premier League, da Inglaterra, e a Liga Espanhola.

Ou seja, o fato de ser o esporte profissional que mais utiliza recursos eletrônicos, não diminuiu em nada o interesse do público norte-americano pelo esporte que eles chamam de futebol.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

POSTURA EQUIVOCADA

Não discuto se a Seleção tem condições de ser hexacampeã na África o Sul. Me parece evidente, diante do baixo nível técnico da maioria dos adversários, que as chances de título são enormes. E mesmo os rivais mais poderosos - Argentina, Alemanha, Inglaterra e Holanda - não fazem campanhas capazes de colocá-los em posição de favoritismo em relação ao Brasil.



Também reconheço que o trabalho do Dunga está sendo feito corretamente, dentro de campo. O problema são os exageros cometidos fora dele.

Essa guerrinha contra a Imprensa é uma das coisas mais ridículas que eu já vi em toda a minha vida. Pra quê isso?

E antes que digam que estou sendo corporativista ao me referir ao assunto, vamos ao exemplo do que eu considero uma postura sensata, educada e profissional de alguém que comanda uma equipe esportiva tão relevante quando a Canarinha.

Em 2002, Felipão também teve que enfrentar críticas da imprensa, pressão da torcida para convocar Romário e a desconfiança de muitos sobre sua aposta em Rivaldo e Ronaldo, que se recuperavam de sérios problemas físicos ás vésperas do Mundial da Coreia e Japão.

Nem por isso, o conterrâneo de Dunga enclausurou a Seleção em sua concentração ou saiu distribuindo xingamentos aos repórteres.

Pelo contrário. Na concentração brasileira, no Japão, os jornalistas tinham livre acesso aos jogadores e ninguém era proibido de falar sobre qualquer assunto.

E, apesar do que preconiza a "filosofia" dunguista, deu tudo certo e o Brasil foi pentacampeão após uma campanha de sete vitórias.

Por isso, não há lógica que sustente a postura belicosa de Dunga. Só posso ver revanchismo e falta de inteligência nela.

E que me desculpem seus defensores, mas essa história de patriotismo é a mais pura balela. Ninguém está lá para defender a nação. É só uma equipe tentando conquistar um título, que por mais importante que seja para os brasileiros, nem se compara com uma guerra.

Além disso, gostaria imensamente que alguém me explicasse o que tanto a imprensa fez para Dunga se sentir tão magoado e perseguido por ela.

Alguém aí pode me dar um único exemplo?

Se me vierem com um argumento baseado no fato da imprensa criticar algumas escolhas técnicas e táticas do treinador, vou logo avisando que não aceitarei nem iniciar a discussão.

Esse argumento é totalmente furado.

Todos os treinadores, sejam de Seleção ou de clubes, estão sujeitos a serem analisados, criticados e elogiados.

Se você não aguenta a pressão, que não aceite o cargo!

terça-feira, 22 de junho de 2010

CARA E COROA

Com estilo, carisma e bom humor, Maradona virou “O Cara da Copa”. Conquistou um monte de gente que não gostava da “arrogante” Argentina. Em seu personagem atual, leva para a Copa do Mundo de 2010 uma mensagem de que o futebol é uma grande festa, pura diversão.



O ex-craque não é nenhum estrategista, ele sabe disso, e talvez justamente por isso mesmo passe, hoje, a cada jogo e entrevista, a saudável imagem de que a nossa paixão nacional não deve ser levada tão a sério, a ferro e fogo.

Futebol, pra mim e aparentemente para o Maradona na Copa, deve ser fonte de sorrisos. É por isso que Maradona faz cena (outro dia no treino ajoelhou e implorou para que um repórter tirasse um casaco que ele considerou feio), canta parabéns na coletiva, arregala o olho e faz inúmeras brincadeiras, até agora sempre saudáveis.

Enquanto isso… Do lado da “Coroa”, o porta voz e comandante do nosso futebol xinga, resmunga, desrespeita e ironiza. Logo o Brasil que sempre encantou e teve fama de ter um povo feliz, amigável, acolhedor. Logo o Brasil que será a sede da próxima Copa do Mundo.



Dunga não tem nenhuma obrigação de distribuir sorrisos a quem quer que seja. Mas, na hora que aceitou o cargo, ganhou junto a obrigação de respeitar os torcedores da Seleção Brasileira. Coisa que qualquer pessoa educada não precisa nem de cargo para fazer.

Maradona, até antes da Copa, não era nenhum exemplo de boa relação com os jornalistas. Meses antes do Mundial foi punido pela Fifa com multa de R$ 42 mil e um jogo de suspensão por ter mandado os jornalistas que o criticavam “chupar”, logo após a sofrida classificação diante do Uruguai.

Mas ele teve inteligência suficiente para entender que não precisava criar inimigos externos para motivar seus jogadores e muito menos bodes expiatórios para um possível fracasso na África do Sul.

Dunga pensa diferente. Ele busca o confronto, se alimenta dele e acredita que seus jogadores precisam ser “guerreiros” para serem vitoriosos. O problema é que essa postura o está cegando para as coisas que ocorrem dentro de campo.

Contra a Costa do Marfim estava claro que Kaká estava nervoso, irritado com as faltas dos marfinenses. O correto seria tirá-lo logo depois do primeiro cartão amarelo.

Mas Dunga estava tão fora de si, xingando o árbitro, os bandeirinhas, o técnico adversário e até o atacante Drogba, que acabou por perder o “foco” no que era realmente importante.

Agora, ele corre o risco de ser o primeiro treinador suspenso durante uma Copa do Mundo por pura falta de educação e inteligência.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O TIME COERENTE DE DUNGA

Na estreia do Brasil na Copa do Mundo, em Joanesburgo, nada de surpresas ou novidades. A Seleção foi previsível e "coerente" com o que apresentou nos últimos três anos, principalmente nas Eliminatórias para o Mundial da África do Sul. Foi uma vitória construída no segundo tempo, com gols pelo lado direito, com Maicon e Elano. No fim, Yun Nam marcou o gol asiático e virou herói nacional. Brasil 2 x 1.

Apesar da sonolência nos primeiros 45 minutos - e da péssima apresentação de Kaká -, o Brasil assumiu o controle do jogo e buscou o gol. Ao todo, foram 26 finalizações brasileiras. Muito? Sim. O recorde até aqui. Em 14 jogos realizados na Copa de 2010, até o momento, a marca pertencia à Argentina, com 20 chutes. O Brasil finalizou 26…

Se forem consideradas apenas as finalizadas certas, foram 10 chutes. Outro recorde. A Alemanha havia chutado na meta em dez oportunidades. Se bem que eles fizeram quatro…

Mas o Brasil já larga em vantagem no seu grupo, graças ao empate sem gols de Portugal e Costa do Marfim. A Canarinho está a uma vitória das oitavas de final do Mundial. Essa é a missão do time de Dunga contra o time de Drogba, no domingo.

Mas que a torcida não se iluda. Vai ser sofrido sempre. E não é novidade pra ninguém que acompanha a Seleção desde as eliminatórias. O time de Dunga é burocrático mesmo. Nunca teve plano B ou alternativas táticas. É jogar na retranca e tentar a sorte nos contra-ataques.

Criticar a falta de criatividade no meio também é chuver no molhado. Por isso, sempre que encarar uma retranca pela frente, como na estreia, vai ter problemas. E o torcedor brasileiro vai sofrer, roer as unhas e arrancar os cabelos. Essa é a coerência do Dunga!

domingo, 13 de junho de 2010

ALEMANHA JOGA COMO FAVORITA

Argentina, Espanha, Holanda e Brasil foram as seleções que chegaram à África do Sul com a responsabildade de apresentar um bom futebol. Até agora, no entanto, foi a Alemanha que mostrou um estilo de jogo contundente. Decisivo ofensivamente e seguro na defesa. O tipo de futebol que todo torcedor gosta de ver, incluindo até mesmo os defensores mais ferrenhos do tal futebol de resultados de Dunga e Cia.



E foi a Alemanha de sempre. Fria e técnica, mas com um grupo renovado em 2010, montado apenas com atletas que atuam na Bundesliga, a liga nacional alemã. Habilidade, movimentação e velocidade. E, sobretudo, eficiência no passe: acertou 77% dos 618 na estreia, segundo as estatísticas disponíveis no site oficial da Fifa.

Contra a Austrália, ontem, os tricampeões mundiais não deram qualquer chance. Com oito minutos o placar já havia sido aberto. Ao contrário da estreia da Argentina, os germânicos souberam aproveitar as chances de gol que foram criadas.

A pontaria estava apurada. Dos 16 chutes na meta do goleiro Schwarzer, 10 foram certeiros, no alvo. E quatro balançaram as redes. Klose e Podolski (o mesmo ataque de 2006, apesar da série de mudanças) no primeiro tempo e Müller e Cacau no segundo. Müller, aliás, chamou a atenção pela habilidade e técnica no lance do terceiro gol, talvez o mais bonito dos três primeiros dias de Mundial.

Apesar da fragilidade demosntrada pelo time australiano, a goleada por 4 a 0 foi incontestável. Um bom jogo, o melhor da Copa até o momento. E o time alemão sequer pôde contar com o craque Michael Ballack, que foi cortado por lesão.

A Alemanha sempre "surpreende" o mundo. Ou seria apenas o Brasil, através de boa parte da imprensa? O velho senso comum de duvidar do país de Beckenbauer.

Calada há quatro anos, a Alemanha reaparece mais uma vez, com um time renovado, altamente técnico e que joga em busca do gol a todo instante. Favorita. Como sempre.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SEGUNDO EMPATE E PRIMEIRO ZERO A ZERO




A segunda partida no Mundial da África do Sul, disputada entre Uruguai e França, foi um jogo digno de Copa do Mundo. Ou seja…

Chato!

Faltas duras. Foram 33 ao todo. Discussões em campo. Poucas chances de gol…

Apenas 6 finalizações certas durante toda a partida.

Mas mesmo assim o jogo prendeu a atenção. Fosse qualquer outra situação - Copa das Confederações, amistoso, Olimpíada etc – provavelmente ninguém nem comentaria. Mas a Copa é mesmo o maior espetáculo da Terra.

Os dois campeões mundiais fizeram uma partida equilibrada nesta sexta. No mau sentido para quem queria arte e no bom sentido para quem queria uma boa disputa.

Forlan foi o melhor em campo, mas jogando fora de sua função não rendeu o mesmo que no Atlético de Madrid. Loco Abreu entrou no segundo tempo e o mais importante que fez foi desviar, de cabeça, uma cobrança de falta do atacante Henry, que parecia ter endereço certo. Se o Uruguai insistir nesta formação, com apenas um atacante, pode sair da Copa sem marcar gols.

A França não surpreendeu. Até teve domínio territorial na maior parte do jogo, mas sem conseguir criar jogadas de perigo. Só melhorou com as entradas Henry e Malouda, que estranhamente começaram a Copa no banco.

A partida ainda foi marcada pela primeira expulsão do Mundial. Do Uruguai, é claro. Aos 35 minutos do 2º tempo, Nicolas Lodeiro deixou a Celeste com um menos.

No fim, na base da raça, o primeiro 0 a 0 da Copa do Mundo de 2010.

Foi apenas o primeiro… Mas isso é Copa.

OBSERVAÇÕES SOBRE O PRIMEIRO JOGO DA COPA



A Copa do Mundo de 2010 começou às 11h desta sexta. Abaixo, alguns dados sobre o jogo de abertura do Mundial, entre África do Sul e México, no belíssimo Soccer City.

1º lateral – 30 segundos, a favor do México.

1ª falta cometida – 1min02, pelo sul-africano Letsholonyane.

1º chute a gol – 1min44, através de Giovani dos Santos, do México.

1º escanteio – 2min10, novamente com Giovani dos Santos.

1º impedimento – 11min, com o volante Aguilar, do México (bem marcado).

1ª cabeçada – 14min, com o atacante Franco, do México.

1ª cobrança de falta direta – 16min, com o meia Tshabalala, da África do Sul.

1º cartão amarelo – 17min, para o defensor mexicano Efrain Juarez (mão na bola).

1º gol impedido – 37 min, com o atacante Carlos Vela do México (acertado).

1ª substituição – No intervalo, na África do Sul. Entrou Masilela (camisa 3) e saiu Thwala (camisa 15)

1º gol - 9 minutos do segundo tempo. Um golaço do meia Siphiwe Tshabalala, para o anfitrião. O camisa 8 – de 25 anos e nascido em Soweto – joga no Kaizer Chiefs, de seu país. Em 49 partidas pela seleção, marcou o seu 6º gol. Correu 12,2 km na partida e foi eleito pela Fifa como o craque do jogo (merecidamente).

1ª bola na trave – Aos 44 do segundo tempo, o atacante sul-africano Mphela acertou a trave. O México já havia empatado, com Rafael Marques, aos 34.

1º empate – O México segurou o empate em 1 x 1 com a África do Sul, diante de 84 mil pessoas, na abertura do Grupo A e do Mundial como um todo.

Em tempo: nada de pênalti… Fica pra próxima.

domingo, 6 de junho de 2010

A POLÊMICA DAS BOLAS NA FINAL DE 1930

Já disseram que a pobrezinha da Jabulani está mais para Jaburu. Ela foi criticada por dezenas de jogadores, incluíndo goleiros e atacantes da Seleção Brasileira.

"A bola é ruim, mas vamos ter que jogar com ela. O cara que fez a bola nunca jogou futebol", disse Robinho, talvez esquecendo que o companheiro Kaká, craque que entende de futebol, foi um dos jogadores que testou e aprovou a bola.

Não podemos esquecer que ele é patrocinado pela Adidas, fabricante da bola, mas isso é outra história.



Mas não pense que essa polêmica é novidade. Na verdade, todo ano de Copa do Mundo é a mesma coisa. As bolas escolhidas para o maior evento esportivo do planeta não conseguem agradar a todos. Mas, em nenhum outro ano, ela foi tão polêmica como no primeiro mundial, disputado no Uruguai em 1930.

Naquela época, a bola era feita de couro e tinha uma abertura por onde entrava uma câmara de ar de borracha. Essa abertura era depois costurada com cadarço. Quandoa pelota era molhada, o couro absorvia a água e a bola ficava com quase o dobro do peso.

Pois não é que na final do torneio uruguaios e argentinos chegaram num impasse por causa da bola? Os donos da casa queriam utilizar a sua, mais pesada e os argentinos também não abriam mão de usar a bola fabricada por eles, mais leve.

A solução? Disputar um tempo com cada bola. Parece mentira, mas, nos primeiros 45 minutos, a Argentina, com sua bola, ganhou por 2 a 1. No segundo tempo, com a bola dos uruguaios, o time da casa fez três gols, ganhando a partida por 4 a 2 e consequentemente a primeira Copa do Mundo.



A bola argentina utilizada no primeiro tempo da final da Copa do Mundo de 1930



A bola uruguaia utilizada no segundo tempo da final da Copa do Mundo de 1930

UMA AUTÊNTICA LOUIS VUITTON NA COPA

Se a bola da Copa está dando o que falar, o que será que jogadores, treinadores e torcedores das 32 seleções que participam do Mundial da África do Sul vão dizer do novo estojo em que a Taça Fifa será guardada e transportada a partir de agora?

Na semana passada, a Fifa apresentou o estojo oficial para guardar a taça da Copa do Mundo. Trata-se de um artefato luxuoso.

A "caixa" é uma peça exclusiva (e elegante) produzida pela grife Louis Vuitton. Um "porta-taça" monogramado e forrado com camurça. Tem até luva para o manuseio do principal objeto do desejo dos boleiros do planeta. Também pudera, a Taça Fifa (nome oficial do troféu do Mundial) mede 36,8 cm, pesa 6,175 quilos e é feita de ouro 18 quilates.

A peça foi feita por um artesão da famosa oficina nos arredores de Paris, aberta desde 1859. A sua estreia vai acontecer na Copa da África do Sul, neste mês.

Só falta saber qual será a seleção que levará o elegante estojo para casa. E o que é mais importante, seu conteúdo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CERVEJA GELADA


Às vezes, tudo o que um homem precisa é de um bom copo de cerveja gelada e encorpada. Não uma dessas cervejas desmaiadas, aquosas e tristes. Falo de uma cerveja realmente encorpada, de um dourado escuro como o das loiras de Salinas em julho, com a espuma do colarinho com dois dedos de espessura, um copo de cerveja que, quando lhe é servido, você o ergue com solenidade do tampo da mesa e olha sorrindo para ele e ainda sorrindo o conduz até os lábios e fecha os olhos ao sorver o primeiro gole e sente o líquido denso escorrendo-lhe garganta abaixo e fazendo sua alma arrepiar e todo o seu ser se alegra e você exclama:

– Aaaaaaaah...

E pergunta para o amigo:

– Que tal uma isca de peixe ou um charque frito com macaxeira?


Realmente, às vezes, tudo o que um homem precisa é de um bom copo de cerveja gelada e encorpada. Com os amigos junto, claro. Pode ser numa praia de Salinas, admirando as mulheres de coxas grossas e biquínis curtos; pode ser no bar da Laura, esperando o charque com macaxeira perfeito preparado pela Dona Tereza; pode ser no bar do Belga, em Outeiro, mordiscando um bolinho de piracuí; pode ser na Walda, experimentando um sanduíche de filé com queijo do marajó. Tanto faz. Mas os amigos, eles sempre têm de estar por perto.

Amigos que não fiquem ao celular, bem entendido.

O Osmar e o Professor Pardal têm mania de teclar no iphone, no blackbarry ou seja lá o que for aquilo que monopoliza a atenção deles enquanto estamos no bar. Irritante. Com quem você quer conversar? Com as pessoas que estão ali, na sua frente, ao vivo, trinchando uma batatinha frita, ou com as que estão no MSN? Por favor! Então vá sair com esses seus amigos virtuais!

Não, eu não preciso estar on line o dia todo, não preciso de MSN no celular, não preciso nem de celular o tempo inteiro, não preciso me informar mais rápido do que os outros sobre tudo. Não. O twitter faz com que o planeta saiba de uma notícia em poucos minutos? E daí? Posso muito bem passar sem novidades durante o tempo em que estou sentado à mesa de um bar com meus amigos. Não preciso de novidades a todo momento, não mesmo. O que eu preciso, muitas vezes, é apenas um bom copo de cerveja gelada e encorpada, sim senhor.

Até porque não sou jogador de futebol.

Se fosse jogador de futebol, o que aconteceria? Eu sentaria à mesa do bar com meus amigos e logo apareceria um gaiato com seu maldito celular e me fotografaria sorvendo um grosso gole de cerveja gelada e encorpada e colocaria a foto no twitter ou no orkut ou sabe-se lá em que maldito escaninho da internet e essa foto circularia entre os malditos torcedores talibãs e os torcedores me chamariam de bêbado e os dirigentes do clube me puniriam. Essa é a vida de um jogador de futebol. Um rapaz de vinte e poucos anos, com o bolso formigando de euros, com uma saúde de cavalo de prado, cercado de mulheres esguias e fogosas e que dançam com os bracinhos levantados, mas que não pode sentar a uma mesa de bar e pedir um copo de cerveja gelada e encorpada. Eu posso. Que bom que não sou jogador de futebol.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CADÊ O DINHEIRO?


Lula – O Filho do Brasil (2009) é o nosso filme mais caro. Como geralmente ocorre nesse tipo de produção, o filme não precisa nem prestar, pois o negócio é vê-lo. Muito já foi dito nos últimos meses sobre esse produto, da ruidosa pré-estréia no Festival de Brasília, à controvérsia sobre o caráter eleitoreiro de um filme que seria bajulador, feito para um presidente que ainda está no poder. É notável, no entanto, que pouca coisa tenha sido dita sobre a qualidade do filme em si.

Sei que é um desafio abordar em resenha o filme de um cineasta que passa por um drama pessoal no momento do lançamento nacional do seu mais novo trabalho. O diretor carioca Fábio Barreto, em coma desde o último dia 19 de dezembro, vítima de um acidente grave no Rio, recupera-se enquanto seu filme segue nos cinemas.

O desafio vem da sensação de separarmos o homem, Fábio, que sai de uma situação difícil de saúde, do cineasta e sua obra. Mas a tarefa fica menos difícil a medida que levamos em consideração a natureza mascate de sua carreira - característica jamais negada pelo próprio diretor.

Aos 52 anos, Fábio Barreto tem 13 filmes no currículo, alguns muito precários, como Bela Donna e A Paixão de Jacobina. Seu melhor momento como realizador talvez tenha sido O Quatrilho (1996), recompensado com uma indicação ao Oscar.

Seus pais, Luiz Carlos e Lucy, produtores de enorme prestígio e poder, são responsáveis por grandes momentos do cinema brasileiro, como Terra em Transe e Memórias do Cárcere. Hoje, fazem filmes populares, ou populistas, de estilos mais simples. Mas mesmo com toda esta experiência, eles ainda cometem erros de principiantes.

Não consigo entender porque decidiram mostrar Lula – O Filho do Brasil em Brasília, dois meses antes da estreia? Sendo o filme tão ruim, não teria sido mais importante para o produto lançá-lo em cima do público sob um véu de mistério e sem que ninguém externasse nenhuma das opiniões negativas já tão divulgadas na imprensa e internet?

Mas o problema maior é que o filme parece feito a partir de uma molde genérico do padrão bio-filme, ou especial de TV (do tipo "Por Toda a Minha Vida", da Rede Globo). A comparação com 2 Filhos de Francisco é inevitável. O sucesso de cinco milhões de espectadores de cinco anos atrás é claramente a receita a partir da qual o filme foi montado, como se aquele outro filme fosse alguma maravilha. E foi, só que financeira.

De bebê sertanejo a líder sindicalista no ABC paulista, seguimos com muita paciência momentos da vida de Lula, dramatizados sem muita força, exceto num momento.

Em 1980, Lula, discursando para uma multidão num estádio, sem microfone, pede que o que diz seja passado para os metalúrgicos que estão atrás, e o discurso segue em ondas de gritos. É uma sequência que se destaca do todo.

No restante do filme, no entanto, o tom folhetinesco predomina. O pai (Milhem Cortaz, caracterização infeliz) parece um robô nordestino, com defeito. A mãe, Dona Lindu (Glória Pires), é mais uma mãe coragem, muleta popular e frequente desse cinema comercial brasileiro (Cazuza, Zuzu Angel, Salve Geral). Ela não decola como personagem, pois atua mais como uma figurante com falas.

Se Dona Lindu é uma santa de um jeito só, Lula (Rui Ricardo Dias) é só dignidade e mito, nosso Evito. Cada imagem de Dias, que tem momentos eficazes de caracterização, nos leva à grande questão:

Captar somas gigantescas de dinheiro (orçamento divulgado está em torno de 16 milhões de reais) via patrocínio direto, para enaltecer a trajetória de um presidente ainda no poder é estranho. Nos EUA, W., de Oliver Stone, relato irônico, mas respeitoso, sobre George W. Bush, foi lançado no último mês do mandato. Isso, sem sombra de dúvida, demonstra o caráter oportunista de seus produtores.

E o pior é que ao ser submetido a um olhar técnico de cinema, nossa produção mais cara não aparenta o dinheiro que custou. Há no filme, por exemplo, uma cena dos anos 50, onde o Recife de 2009 é usado como fundo.

A cobrança de ver o que dizem ter gastado na tela é muito mais do que justa. Os Barretos jogam o jogo do cinema industrial, dos filmes que são capazes de conquistar 2 milhões de espectadores. Nesse tipo de cinema, o orçamento vira notícia e o público vai ver o filme esperando ver o tipo de imagem popular que o dinheiro compra.

Avatar, por exemplo, gostando ou não, está tudo lá, para quem quiser cobrar, cada milhão escorrendo da tela. Na nossa maior produção, temos a mesma articulação indigente de planos de sempre, e uma sensação estranha de "onde foi parar a grana?"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OS MELHORES DE 2009 E DA DÉCADA (ATÉ AQUI)


Fazer uma lista de melhores isso ou aquilo sempre é muito complicado, pois estas listas sempre são subjetivas e questionáveis. E isso não é novidade para ninguém. Mas como o meu negócio nestas férias é diversão, aí vai a minha.

Melhores estrangeiros

1º Bastardos Inglórios
2º A Partida
3º O Anticristo
4º Milk
5º Intrigas de Estado
6º Deixa Ela Entrar
7º O Lutador
8º Inimigos Públicos
9º A Bela Junie
10º Up - Altas Aventuras
11º O Leitor
12º Valsa com Bashir
13º Star Trek
14º A Teta Assustada
15º 500 Dias com Ela
16º Quem Quer Ser um Milionário?
17º Gigante
18º Distrito 9
19º O Complexo de Baader Meinhoff
20º Gran Torino

Melhores filmes brasileiros

1º Se Nada Mais Der Certo
2º A Festa da Menina Morta

Melhor filme lançado apenas em DVD

Guerra ao Terror (The Hurt Locker)

O pior filme do ano

Transformers 2


MELHORES DA DÉCADA

Eu sei que a década só termina em 31 de dezembro de 2010 - e não este ano como pensa a maioria dos veículos de comunicação -, mas isso é uma discussão para historiadores. Por isso, já que está todo mundo fazendo, vou adiantar a minha lista de melhores filmes da década. Não consegui fazer uma lista dos meus dez filmes favoritos nesta década. Confesso que até tentei, mas tenho um gosto bastante variado. É uma lista bem pessoal e como acho impossível organizá-la de outra forma a fiz em ordem alfabética.

Sei que a lista é longa. Mas uma década é um período bem extenso também, especialmente para quem vai ao cinema duas, três vezes por semana, e ainda assiste filmes em casa quase todos os dias.


Estrangeiros

A Lula e a Baleia
Amor à Flor da Pele
Amores Brutos
A Viagem de Chihiro
A Vida dos Outros
As Canções de Amor
Bastardos Inglórios
Boa Noite e Boa Sorte
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
Conte Comigo
C.R.A.Z.Y.
Dançando no Escuro
Deixa Ela Entrar
Diários de Motocicleta
Dogville
Elefante
Encontros e Desencontros
E Sua Mãe Também
Fale com Ela
Gomorra
Guerra ao Terror
Herói
Longe do Paraíso
Match Point - Ponto Final
Menina de Ouro
Milk
Na Natureza Selvagem
Old Boy
Onde Os Fracos Não Têm Vez
O Labirinto do Fauno
O Escafandro e a Borboleta
O Pântano
O Pianista
Os Três Reis
O Segredo de Brokeback Mountain
O Senhor dos Anéis
Onde os Fracos Não Têm Vez
Os Filhos da Esperança
Os Sonhadores
Paradise Now
Réquiem para um Sonho
Sangue Negro
Sobre Meninos e Lobos
Wall-E
Whisky
Zodíaco


Brasileiros

Amarelo Manga
Bicho de Sete Cabeças
Cidade de Deus
Cinema, Aspirinas e Urubus
Contra Todos
Durval Discos
Edifício Master
Estômago
Lavoura Arcaica
Linha de Passe
Madame Satã
O Céu de Suely
O Invasor
Ônibus 174
Tropa de Elite

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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.