Há um ano este pequeno e humilde blog dava os seus primeiros passos. Para comemorar o primeiro ano desse espaço pessoal no qual publico minhas reminiscências sobre os mais diversos assuntos resolvi republicar aqui uma das primeiras postagens dele.
Como há um ano também a banda alemã Scorpions fazia um grande show em Belém, escolhi o texto no qual falo sobre este espetáculo internacional jamais visto na terra de Nilson Chaves.

HARD ROCK NOSTÁLGICO
Foi só botar os pés no estacionamento do Parque de Exposições, onde está instalado o Cidade Folia, para choverem cambistas por tudo que é lado. "Olha o ingresso, olha o ingresso", "Tô vendendo", "Tô comprando", repetiam a toda hora. Antes do show, estavam vendendo os ingressos de pista a R$ 70. Depois do show começado, bilhetes chegaram a ser vendidos a R$ 50. Ingressos para a área Vip - que, aliás, não era tão Vip assim, já que houve um certo tumulto na entrada - foram vendidos pela metade do preço.
O Cidade Folia estava cheio, mas não lotado. Segundo a Polícia Militar, cerca de 10 mil pessoas assistiram ao show; a produção, no entanto, fala em 13 mil.
A banda alemã de hard rock Scorpions subiu ao palco do Cidade Folia com seis minutos de atraso (o show estava marcado para começar às 22h), mas a curta espera não chegou a incomodar o público, que se empolgou até com as músicas de outras bandas (Nirvana, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e até Europa) que foram tocadas por um DJ antes da apresentação da atração da noite.
Aos primeiros toques na bateria de James Kottak, os outros integrantes, Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra) e Pawel Maciwoda (baixo), entraram no palco e a platéia pulou, cantou e aplaudiu.
A primeira parte do show, que foi dividido em três - elétrica, acústica, elétrica - começou com Hour 1, música do mais recente álbum. A batida pesada da canção assustou parte do público, mais acostumado com o som leve e romântico das baladas do DVD Acústica. Aliás, muita gente se sentiu enganada ao final do espetáculo. "Foi muito pesado esse show. Se eu soubesse...", comentou uma garota, aparentando uns 20 aninhos, já no estacionamento interno do Parque de Exposições. Não deu para conter o riso.
Depois da nova canção, tocaram clássicos como Coming Home, No Pain No Gain e a instrumental Coast to Coast, que marcou o início da participação do guitarrista brasileiro Andreas Kisser, do Sepultura. Com quatro guitarras no palco, os Scorpions fizeram bonito e fecharam bem a primeira parte elétrica do show. A esta altura já dava para observar um certo ar de "que show é esse?" nos rostos da garotada da área vip. Mas aí veio o momento que as meninas e até alguns cinquentões tanto esperavam.
O palco foi rapidamente preparado para a seqüência acústica: banquinhos, instrumentos de percussão e as três dançantes backing vocals. A banda, com a companhia de Andreas, mandou mais e mais clássicos. Aliás, foi neste momento que ouvi um coroa, de mais ou menos uns 50 anos, comomerar: "Agora sim, esse é o Scorpions!". Os alemães aproveitaram o momento para mostrar o lado consciente e ambientalmente responsável. No telão, apareciam imagens da Floresta Amazônica e de atividades do Greenpeace. Na mensagem final, um apelo: "Parem com a destruição da Amazônia!"
Foi também na parte acústica que os primeiros assovios anunciaram a balada mor da banda - Wind of Change. A música pode até ser considerada atualmente a maior farofada, mas não dá para negar que canções assim são responsáveis pelas partes mais bonitas do show: luzes de celular foram acesas, milhares de braços foram levantados e a platéia cantou sozinha em alguns momentos. Em Holiday, o vocalista - que jogou aos fãs no mínimo umas 50 baquetas - arriscou algumas palavras em português e agradeceu o carinho do público com o tradicional "Muitóóó obriegaduuu".
Meine também esbanjou simpatia ao dar "bôua noitchê, Beléééiiiiim" e agradecer a empolgação do público, após cada canção. Mais tarde, o vocalista também fez uma média com os paraenses cantarolando uma versão peculiar de Aquarela do Brasil, charme que deve ser mantido para as outras apresentações da banda em solo brasileiro. O baixista Maciwoda fez sua parte para conquistar a simpatia dos belenenses vestindo uma camisa do Círio 2008 e usando ainda um cocar multicolorido atirado ao palco por algum maluco da platéia.
Com o já tradicional solo de bateria, Kottak fez graça e tocou um samba à la carnaval na Sapucaí. Depois, subiu na bateria, tirou a blusa e exibiu a enorme tatuagem "Rock & Roll Forever" (Rock & Roll para sempre) nas costas. Então, a terceira parte começou e Klaus emendou um "are you ready to rock?" antes de Blackout. Mas o show chegava ao final e ainda faltavam dois clássicos: Still Loving You e Rock You Like A Hurricane. A espera terminou no bis da banda. Os dois hits balançaram o público, que parecia dar tudo de si nos últimos momentos. E assim, perto do adeus e com o público em êxtase, a tatuagem clichê de Kottak fez ainda mais sentido.


