domingo, 6 de junho de 2010

UMA AUTÊNTICA LOUIS VUITTON NA COPA

Se a bola da Copa está dando o que falar, o que será que jogadores, treinadores e torcedores das 32 seleções que participam do Mundial da África do Sul vão dizer do novo estojo em que a Taça Fifa será guardada e transportada a partir de agora?

Na semana passada, a Fifa apresentou o estojo oficial para guardar a taça da Copa do Mundo. Trata-se de um artefato luxuoso.

A "caixa" é uma peça exclusiva (e elegante) produzida pela grife Louis Vuitton. Um "porta-taça" monogramado e forrado com camurça. Tem até luva para o manuseio do principal objeto do desejo dos boleiros do planeta. Também pudera, a Taça Fifa (nome oficial do troféu do Mundial) mede 36,8 cm, pesa 6,175 quilos e é feita de ouro 18 quilates.

A peça foi feita por um artesão da famosa oficina nos arredores de Paris, aberta desde 1859. A sua estreia vai acontecer na Copa da África do Sul, neste mês.

Só falta saber qual será a seleção que levará o elegante estojo para casa. E o que é mais importante, seu conteúdo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CERVEJA GELADA


Às vezes, tudo o que um homem precisa é de um bom copo de cerveja gelada e encorpada. Não uma dessas cervejas desmaiadas, aquosas e tristes. Falo de uma cerveja realmente encorpada, de um dourado escuro como o das loiras de Salinas em julho, com a espuma do colarinho com dois dedos de espessura, um copo de cerveja que, quando lhe é servido, você o ergue com solenidade do tampo da mesa e olha sorrindo para ele e ainda sorrindo o conduz até os lábios e fecha os olhos ao sorver o primeiro gole e sente o líquido denso escorrendo-lhe garganta abaixo e fazendo sua alma arrepiar e todo o seu ser se alegra e você exclama:

– Aaaaaaaah...

E pergunta para o amigo:

– Que tal uma isca de peixe ou um charque frito com macaxeira?


Realmente, às vezes, tudo o que um homem precisa é de um bom copo de cerveja gelada e encorpada. Com os amigos junto, claro. Pode ser numa praia de Salinas, admirando as mulheres de coxas grossas e biquínis curtos; pode ser no bar da Laura, esperando o charque com macaxeira perfeito preparado pela Dona Tereza; pode ser no bar do Belga, em Outeiro, mordiscando um bolinho de piracuí; pode ser na Walda, experimentando um sanduíche de filé com queijo do marajó. Tanto faz. Mas os amigos, eles sempre têm de estar por perto.

Amigos que não fiquem ao celular, bem entendido.

O Osmar e o Professor Pardal têm mania de teclar no iphone, no blackbarry ou seja lá o que for aquilo que monopoliza a atenção deles enquanto estamos no bar. Irritante. Com quem você quer conversar? Com as pessoas que estão ali, na sua frente, ao vivo, trinchando uma batatinha frita, ou com as que estão no MSN? Por favor! Então vá sair com esses seus amigos virtuais!

Não, eu não preciso estar on line o dia todo, não preciso de MSN no celular, não preciso nem de celular o tempo inteiro, não preciso me informar mais rápido do que os outros sobre tudo. Não. O twitter faz com que o planeta saiba de uma notícia em poucos minutos? E daí? Posso muito bem passar sem novidades durante o tempo em que estou sentado à mesa de um bar com meus amigos. Não preciso de novidades a todo momento, não mesmo. O que eu preciso, muitas vezes, é apenas um bom copo de cerveja gelada e encorpada, sim senhor.

Até porque não sou jogador de futebol.

Se fosse jogador de futebol, o que aconteceria? Eu sentaria à mesa do bar com meus amigos e logo apareceria um gaiato com seu maldito celular e me fotografaria sorvendo um grosso gole de cerveja gelada e encorpada e colocaria a foto no twitter ou no orkut ou sabe-se lá em que maldito escaninho da internet e essa foto circularia entre os malditos torcedores talibãs e os torcedores me chamariam de bêbado e os dirigentes do clube me puniriam. Essa é a vida de um jogador de futebol. Um rapaz de vinte e poucos anos, com o bolso formigando de euros, com uma saúde de cavalo de prado, cercado de mulheres esguias e fogosas e que dançam com os bracinhos levantados, mas que não pode sentar a uma mesa de bar e pedir um copo de cerveja gelada e encorpada. Eu posso. Que bom que não sou jogador de futebol.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CADÊ O DINHEIRO?


Lula – O Filho do Brasil (2009) é o nosso filme mais caro. Como geralmente ocorre nesse tipo de produção, o filme não precisa nem prestar, pois o negócio é vê-lo. Muito já foi dito nos últimos meses sobre esse produto, da ruidosa pré-estréia no Festival de Brasília, à controvérsia sobre o caráter eleitoreiro de um filme que seria bajulador, feito para um presidente que ainda está no poder. É notável, no entanto, que pouca coisa tenha sido dita sobre a qualidade do filme em si.

Sei que é um desafio abordar em resenha o filme de um cineasta que passa por um drama pessoal no momento do lançamento nacional do seu mais novo trabalho. O diretor carioca Fábio Barreto, em coma desde o último dia 19 de dezembro, vítima de um acidente grave no Rio, recupera-se enquanto seu filme segue nos cinemas.

O desafio vem da sensação de separarmos o homem, Fábio, que sai de uma situação difícil de saúde, do cineasta e sua obra. Mas a tarefa fica menos difícil a medida que levamos em consideração a natureza mascate de sua carreira - característica jamais negada pelo próprio diretor.

Aos 52 anos, Fábio Barreto tem 13 filmes no currículo, alguns muito precários, como Bela Donna e A Paixão de Jacobina. Seu melhor momento como realizador talvez tenha sido O Quatrilho (1996), recompensado com uma indicação ao Oscar.

Seus pais, Luiz Carlos e Lucy, produtores de enorme prestígio e poder, são responsáveis por grandes momentos do cinema brasileiro, como Terra em Transe e Memórias do Cárcere. Hoje, fazem filmes populares, ou populistas, de estilos mais simples. Mas mesmo com toda esta experiência, eles ainda cometem erros de principiantes.

Não consigo entender porque decidiram mostrar Lula – O Filho do Brasil em Brasília, dois meses antes da estreia? Sendo o filme tão ruim, não teria sido mais importante para o produto lançá-lo em cima do público sob um véu de mistério e sem que ninguém externasse nenhuma das opiniões negativas já tão divulgadas na imprensa e internet?

Mas o problema maior é que o filme parece feito a partir de uma molde genérico do padrão bio-filme, ou especial de TV (do tipo "Por Toda a Minha Vida", da Rede Globo). A comparação com 2 Filhos de Francisco é inevitável. O sucesso de cinco milhões de espectadores de cinco anos atrás é claramente a receita a partir da qual o filme foi montado, como se aquele outro filme fosse alguma maravilha. E foi, só que financeira.

De bebê sertanejo a líder sindicalista no ABC paulista, seguimos com muita paciência momentos da vida de Lula, dramatizados sem muita força, exceto num momento.

Em 1980, Lula, discursando para uma multidão num estádio, sem microfone, pede que o que diz seja passado para os metalúrgicos que estão atrás, e o discurso segue em ondas de gritos. É uma sequência que se destaca do todo.

No restante do filme, no entanto, o tom folhetinesco predomina. O pai (Milhem Cortaz, caracterização infeliz) parece um robô nordestino, com defeito. A mãe, Dona Lindu (Glória Pires), é mais uma mãe coragem, muleta popular e frequente desse cinema comercial brasileiro (Cazuza, Zuzu Angel, Salve Geral). Ela não decola como personagem, pois atua mais como uma figurante com falas.

Se Dona Lindu é uma santa de um jeito só, Lula (Rui Ricardo Dias) é só dignidade e mito, nosso Evito. Cada imagem de Dias, que tem momentos eficazes de caracterização, nos leva à grande questão:

Captar somas gigantescas de dinheiro (orçamento divulgado está em torno de 16 milhões de reais) via patrocínio direto, para enaltecer a trajetória de um presidente ainda no poder é estranho. Nos EUA, W., de Oliver Stone, relato irônico, mas respeitoso, sobre George W. Bush, foi lançado no último mês do mandato. Isso, sem sombra de dúvida, demonstra o caráter oportunista de seus produtores.

E o pior é que ao ser submetido a um olhar técnico de cinema, nossa produção mais cara não aparenta o dinheiro que custou. Há no filme, por exemplo, uma cena dos anos 50, onde o Recife de 2009 é usado como fundo.

A cobrança de ver o que dizem ter gastado na tela é muito mais do que justa. Os Barretos jogam o jogo do cinema industrial, dos filmes que são capazes de conquistar 2 milhões de espectadores. Nesse tipo de cinema, o orçamento vira notícia e o público vai ver o filme esperando ver o tipo de imagem popular que o dinheiro compra.

Avatar, por exemplo, gostando ou não, está tudo lá, para quem quiser cobrar, cada milhão escorrendo da tela. Na nossa maior produção, temos a mesma articulação indigente de planos de sempre, e uma sensação estranha de "onde foi parar a grana?"
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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.