segunda-feira, 21 de setembro de 2009

É PROIBIDO FUMAR EM BELÉM// Mas não em Ananindeua


O maior exemplo da luta antitabagista mundo afora vem de um pequeno território encravado entre a China e a Índia. No reino do Butão, rodeado pelo Himalaia, é proibido qualquer tipo de comércio envolvendo tabaco. O consumo, na encolha, só pode ser feito dentro de casa. O difícil é achar o que consumir. A decisão, inédita em todo o mundo, foi tomada há cinco anos.

"É para o bem-estar do povo, para proteger o meio ambiente e preservar nossa cultura", justificou Lily Wangchuz, porta-voz da embaixada do país em Nova Délhi, à BBC. Confesso que não estou em dia com meus estudos sobre o estilo de vida butanês, por isso não sei dizer se o consumo no país, estimado em 1% da população de 700 mil habitantes na época, caiu. Provavelmente sim.

Proibir o consumo de cigarro parece-me impossível, principalmente quando encontros acontecem pelo mundo discutindo a liberação de outras drogas. A Argentina, nossa vizinha adorável, acaba de aprovar a criação de bares onde o consumo de maconha é permitido. O discurso, portanto, seria, no mínimo, incoerente. Daí volta-se para o comércio, com controle de acesso. É o caso do Butão, controlado por uma monarquia parlamentarista que gosta de proibir as coisas, como a televisão e o turismo. É só ler o único jornal de lá.

Mas os meios justificam os fins? Talvez. Um pouco mais próximas, Londres e Nova York têm leis duríssimas contra o consumo de cigarro. A ideia é dificultar ao máximo a vida de quem fuma para que, espontaneamente, largue o vício. Recentemente, São Paulo proibiu o fumo em qualquer ambiente público fechado, incluindo bares, restaurantes e afins. Hoje, a Câmara Municipal de Belém decretou o fim até dos "fumódromos" a céu aberto. O sujeito não pode fumar nem na parada de ônibus, pois a lei vale para qualquer lugar onde haja aglomeração de pessoas. Era onde queria chegar.

Para mim, é claro que o bem coletivo é maior que o individual, menos em casos em que seja flagrante o desrespeito contra a liberdade do indivíduo. E a proibição destes locais pode ser boa e ruim. Explico. Proibir "fumódromos" em empresas é valido. Não acho que os patrões tenham que pagar pela sua hora de fumo. Do outro lado, proibir espaços reservados em ambientes de lazer, como bares, já é demais.

O comércio de cigarros é gigantesco no Brasil e uma grande fonte de renda para o governo. Um cigarro que custa R$ 4,50 rende aproximadamente R$ 3 em impostos. É um grande negócio e proibir a venda no Brasil, como fez Butão, parece algo impossível. Agora veja o lado do fumante que paga impostos e também quer se divertir. Vai num bar e sente vontade de pitar. Dirige-se a um ambiente reservado para isso e pronto. No que interfere na vida dos outros clientes? Por que acabar com estes espaços? De algum modo, penso, é cercear certas liberdades de alguém que escolheu, por vontade própria, puxar um fumo.

O leitor poderia argumentar que os fumantes geram um custo ao estado que é pago por todos, o que tornaria um caso de saúde pública. Concordo em partes. A afirmação seria verdadeira se o governo comparasse a receita dos impostos do cigarro versus gastos com doenças provocadas pelo tabaco. Se o primeiro valor for maior, a premissa é falsa. Só números oficiais poderiam clarear esta questão.

Talvez a proibição venha de um certo temor dos governos que os "fumódromos" se transformem em locais mais divertidos que os bares. E isso acontece. Em Tallin, capital da Estônia, os locais destinados recebem mais movimento que os locais proibidos. E não é só fumante que aparece por lá. Ou seja, há uma gama de não-fumantes que suporta o vício alheio para não perderem a companhia. É uma questão de escolha preservando um ambiente limpo para os que não suportam baforadas de fumaça.

Mas tudo isso é conversa entre amigos. Vamos ser práticos. Se você é fumante e quer dar umas baforadas entre um copo e outro, não tem outra saída. O negócio é pegar a BR-316 e ir tomar umas cervas em Ananindeua. Lá, pelo menos até o momento, não existe lei antifumo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PAYSANDU QUER TER DIRETOR REMUNERADO


Com o futebol exigindo cada vez mais profissionalização dos clubes, a contratação de diretores remunerados virou fato corriqueiro em centros mais desenvolvidos. O vitorioso Palmeiras dos anos 90 foi o precursor. Quando firmou parceria com a Parmalat, em 91, contratou José Carlos Brunoro, dando início à arrancada que culminou nos bicampeonatos brasileiro e paulista (93/94).

Mas é preciso que o profissional contratado conheça a fundo a realidade que vai enfrentar. E que o clube esteja preparado para suportar a fase de implantação do trabalho, quando os resultados ainda estiverem em maturação. No Palmeiras, Brunoro encontrou este clima. A diretoria do clube e a multinacional souberam esperar e os títulos vieram, além de dinheiro com consequente valorização dos jogadores.

Há alguns anos, Corinthians-SP e Atlético-MG também contrataram profissionais para dirigir o futebol. José Roberto Guimarães e Bebeto de Freitas, respectivamente, ambos técnicos de vôlei, assim como Brunoro e Paulo Russo, este atuou na área administrativa do Santa Cruz-PE e do Corinthians.

Agora, o Paysandu também investe na profissionalização do seu Departamento de Futebol. Anuncia que em breve terá o administrador de empresas Alberto Maculan, ex-diretor do Atlético-PR,coordenando seu Departamento de Futebol. A mudança vem no bojo de uma crise política que provocou o afastamento de vários dirigentes, insatisfeitos com o centralismo de Luiz Omar. Vamos torcer para que a mudança não venha prejudicar o time, ainda abatido com mais um fracasso na tentativa de retornar à Série B.

Mas é bom lembrar que as diferenças são grandes em relação aos clubes do Sul e Sudeste. Não há uma multinacional por trás e o dinheiro na Curuzu não anda fácil. Às vezes falta até para a regularização de jogadores. Além disso, é bom que os dirigentes do clube estejam cientes de que diretor remunerado não pode ser sócio ou empresário de jogador. É impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo.

De certo, o presidente Luiz Omar Pinheiro vai ficar mesmo com a missão de fazer a equipe ter uma campanha bem melhor do que a desse ano. No mínimo. Caso contrário, vai enfrentar uma pesada oposição nas próximas eleições do clube bicolor.

sábado, 5 de setembro de 2009

UM ANO DE BLOG DO SALES E O SHOW DO SCORPIONS EM BELÉM


Há um ano este pequeno e humilde blog dava os seus primeiros passos. Para comemorar o primeiro ano desse espaço pessoal no qual publico minhas reminiscências sobre os mais diversos assuntos resolvi republicar aqui uma das primeiras postagens dele.

Como há um ano também a banda alemã Scorpions fazia um grande show em Belém, escolhi o texto no qual falo sobre este espetáculo internacional jamais visto na terra de Nilson Chaves.


HARD ROCK NOSTÁLGICO

Foi só botar os pés no estacionamento do Parque de Exposições, onde está instalado o Cidade Folia, para choverem cambistas por tudo que é lado. "Olha o ingresso, olha o ingresso", "Tô vendendo", "Tô comprando", repetiam a toda hora. Antes do show, estavam vendendo os ingressos de pista a R$ 70. Depois do show começado, bilhetes chegaram a ser vendidos a R$ 50. Ingressos para a área Vip - que, aliás, não era tão Vip assim, já que houve um certo tumulto na entrada - foram vendidos pela metade do preço.

O Cidade Folia estava cheio, mas não lotado. Segundo a Polícia Militar, cerca de 10 mil pessoas assistiram ao show; a produção, no entanto, fala em 13 mil.

A banda alemã de hard rock Scorpions subiu ao palco do Cidade Folia com seis minutos de atraso (o show estava marcado para começar às 22h), mas a curta espera não chegou a incomodar o público, que se empolgou até com as músicas de outras bandas (Nirvana, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e até Europa) que foram tocadas por um DJ antes da apresentação da atração da noite.

Aos primeiros toques na bateria de James Kottak, os outros integrantes, Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra) e Pawel Maciwoda (baixo), entraram no palco e a platéia pulou, cantou e aplaudiu.

A primeira parte do show, que foi dividido em três - elétrica, acústica, elétrica - começou com Hour 1, música do mais recente álbum. A batida pesada da canção assustou parte do público, mais acostumado com o som leve e romântico das baladas do DVD Acústica. Aliás, muita gente se sentiu enganada ao final do espetáculo. "Foi muito pesado esse show. Se eu soubesse...", comentou uma garota, aparentando uns 20 aninhos, já no estacionamento interno do Parque de Exposições. Não deu para conter o riso.

Depois da nova canção, tocaram clássicos como Coming Home, No Pain No Gain e a instrumental Coast to Coast, que marcou o início da participação do guitarrista brasileiro Andreas Kisser, do Sepultura. Com quatro guitarras no palco, os Scorpions fizeram bonito e fecharam bem a primeira parte elétrica do show. A esta altura já dava para observar um certo ar de "que show é esse?" nos rostos da garotada da área vip. Mas aí veio o momento que as meninas e até alguns cinquentões tanto esperavam.

O palco foi rapidamente preparado para a seqüência acústica: banquinhos, instrumentos de percussão e as três dançantes backing vocals. A banda, com a companhia de Andreas, mandou mais e mais clássicos. Aliás, foi neste momento que ouvi um coroa, de mais ou menos uns 50 anos, comomerar: "Agora sim, esse é o Scorpions!". Os alemães aproveitaram o momento para mostrar o lado consciente e ambientalmente responsável. No telão, apareciam imagens da Floresta Amazônica e de atividades do Greenpeace. Na mensagem final, um apelo: "Parem com a destruição da Amazônia!"

Foi também na parte acústica que os primeiros assovios anunciaram a balada mor da banda - Wind of Change. A música pode até ser considerada atualmente a maior farofada, mas não dá para negar que canções assim são responsáveis pelas partes mais bonitas do show: luzes de celular foram acesas, milhares de braços foram levantados e a platéia cantou sozinha em alguns momentos. Em Holiday, o vocalista - que jogou aos fãs no mínimo umas 50 baquetas - arriscou algumas palavras em português e agradeceu o carinho do público com o tradicional "Muitóóó obriegaduuu".

Meine também esbanjou simpatia ao dar "bôua noitchê, Beléééiiiiim" e agradecer a empolgação do público, após cada canção. Mais tarde, o vocalista também fez uma média com os paraenses cantarolando uma versão peculiar de Aquarela do Brasil, charme que deve ser mantido para as outras apresentações da banda em solo brasileiro. O baixista Maciwoda fez sua parte para conquistar a simpatia dos belenenses vestindo uma camisa do Círio 2008 e usando ainda um cocar multicolorido atirado ao palco por algum maluco da platéia.

Com o já tradicional solo de bateria, Kottak fez graça e tocou um samba à la carnaval na Sapucaí. Depois, subiu na bateria, tirou a blusa e exibiu a enorme tatuagem "Rock & Roll Forever" (Rock & Roll para sempre) nas costas. Então, a terceira parte começou e Klaus emendou um "are you ready to rock?" antes de Blackout. Mas o show chegava ao final e ainda faltavam dois clássicos: Still Loving You e Rock You Like A Hurricane. A espera terminou no bis da banda. Os dois hits balançaram o público, que parecia dar tudo de si nos últimos momentos. E assim, perto do adeus e com o público em êxtase, a tatuagem clichê de Kottak fez ainda mais sentido.
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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.