terça-feira, 18 de agosto de 2009

REPÓRTER DE TEVÊ NÃO SUA?!?


O cabra pra ser repórter de tevê tem que ter elegância. Cada vez que vou a uma coletiva de imprensa vejo como é complicado trabalhar em televisão. Enquanto eu e meus colegas de jornalismo impresso chegamos de calça jeans, tênis e camiseta, muitos com a barba por fazer, os repórteres de tevê sempre estão com o terno impecavelmente alinhado, a gravata nem um milímetro fora do lugar, sapatos lustrados e o rosto mais liso do que bolso de pobre com o nome no SPC. Isso quando não estão maquiados - dizem, não sei, que o brilho do rosto atrapalha o não sei o que da imagem na câmera. Questiúnculas técnicas.

E dia de calor? Aquele sol de fritar ovo no asfalto e os caras no maior profissionalismo, sem pingar uma gota de suor. Dentro do terno, uns 200 graus, a sensação de estar vestido numa embalagem a vácuo e os caras ali, firmes, sem uma mancha de suor na roupa.

Mas, acredito eu, que a maior prova que o repórter de tevê dá de elegância é quando não está trabalhando. Porque onde ele vai é reconhecido. No restaurante, no shopping, na praça, no mercado, no estádio, no cinema, na p... (é, lá mesmo) sempre tem um que cutuca o sujeito do lado e larga "aquele ali não é o cara da tevê..." E lá vem o chato puxar assunto ou fazer aquele comentário inédito: "nossa, você é tão diferente fora da televisão". Criatividade é uma coisa incrível...

Nesse ponto, trabalhar em veículo impresso é vantagem. Ninguém nunca vai saber como você é - a menos que você tenha um blog e sua foto com a cara amassada apareça nele. Mas, se ninguém lê teu blog, também não faz diferença.

Lembro de certa vez, quando ainda trabalhava na cobertura da Tuna Luso, fui dar uma olhada nos jornais na banca. Entre as páginas expostas, havia uma matéria minha. Um dos populares do meu lado não gostou muito do que leu sobre o time dele. Virou pra mim e sentenciou: "esses jornalistas são 'soda', não sabem nada do que falam".

Temendo voltar pra casa com um olho roxo, pois com torcedor contrariado e mulher com TPM não se mexe, achei melhor não discordar. E, muito mais prudente, mantive minha identidade preservada.

Já se naquela oportunidade fosse eu um repórter de tevê - o que só seria possível se o grande doutor Ivo Pitanguy tivesse um bisturi de condão, pois com essa carinha não passo nem da portaria da emissora - teria que explicar por que escrevi aquilo, que respeitava a opinião dele, mesmo sendo contrária à minha, que há várias formas de se interpretar um texto e blablabla.

Portanto, fica a dica para você, jovem que pretende se alistar nas trincheiras do jornalismo televisivo: prepare-se para o embate. Afinal, não é só porque suas tias acharam lindo seu discurso na formatura da catequese que você tem postura pra ler o teleprompter na bancada do telejornal. Tem que ter talento, uma boa dose de elegância e, se possível, um bom cirurgião pra retirar suas glândulas sudoríparas. Afinal, não é fácil ser Willian Bonner. Tá gravando? Boa noite! (Sobem os créditos.)

7 comentários:

ALFREDO GARCIA disse...

SALES:

CONCORDO COM TUDO ESCRITO. SER REPÓRTER DE TV EXIGE MESMO MUITO DO PROFISSIONAL.
É UM CARGO CHEIO DE GLAMOUR, EMBORA O SALÁRIO, Ó. NÃO É TODO MUNDO QUE CHEGARÁ A WILLIAM BONNER, ASSIM COMO NEM TODO CANDIDATO A CRAQUE CHEGARÁ A SER RONALDO, O GORDO.
FUI EDITOR DE TEXTO EM TV E VI ESSA REALIDADE DE PERTO.
AH! ME AVISA QUANFO FIZEREM AS CIRURGIAS DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS PELO SUS. VOU ENTRAR NA FILA. QUANTO AO BISTURI PITANGUINIANO, ABRO MÃO: PREFIRO SER ESSA METAMORFOSE AMBULANTE ENCRIQUILHADA A USAR BOTOX.

ABRAÇOS,

ALFREDO GARCIA
9112-1112

Yáskara disse...

Concordo com a Juliana.
A história de que jornalista de impresso tem que usar jeans e camiseta é puro clichê e já foi há muito tempo.
Andar bem vestido (a), perfumado (a), com o cabelo arrumado, as unhas sempre limpas e a aparência em dia não é coisa só do povo da tevê.
É isso!!!!
Todo mundo lindooooo sempre!!!

Sales Coimbra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sales Coimbra disse...

Yáskara,

Não esperava comentário diferente da repórter mais fashion do jornalismo paraense...

beijão!!!


Jualiana,

não disse que a gente, de impresso, anda mal vestido...só não precisamos andar enclausurados em um terno, como os coleguinhas da telinha...ainda bem que existe jeans e camiseta...rsrsrsrs

beijão!!!

ALFREDO GARCIA disse...

VAMOS EXIGIR UMA VERBA PALETÓ PARA HOMENS E TAILLEUR PARA AS MULHERES, NÉ MINHA CARA YÁSKARA?

ABRAÇOS!

Anônimo disse...

Tailleur só se for verde-limão, pink, roxo e verde....ou, coisas do gênero...kkkkkkk...
Menos, Garcia, menos...rsssss
Acho que vale a gente se vestir como dá vontade. Claro, sempre de forma prudente...aliás, tenho que contar...uma vez fui pra uma coletiva com Dom Orani e quando terminou fui até ele. Fiz uma pergunta e quando começei a anotar ele parou de responder e disse "que cor de esmalte bonita. Nossa, e que anel diferente".
Eu, na maior cara de pau, respondi. "O esmalte é tomate (um vermelhão daqueles quase laranja) e o anel comprei numa feirinha em São Paulo".

Salezitooo...#telove

Charle disse...

Gostei muito do texto, super engraçado. Se não te achas com a lata boa para apresentar jornal, pode se preparar para ser redator de programa de humor.
É isso aí: humorismo verdade e jornalismo... também pode ser!

Powered By Blogger

Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.