segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O QUE O GRÊMIO DEVE FAZER?


É mais do que ingenuidade, é tolice pretender que o Grêmio escale titulares e cometa desatinos para ganhar ou empatar o jogo com o Flamengo, no domingo. Pior: isso seria ruim até para o Inter, sobretudo se o Inter se sagrasse campeão.
Seria a negação de tudo o que representa o futebol gaúcho.

O Grêmio é grande devido à grandeza do Inter.
E a premissa contrária também é verdadeira: o Inter é grande devido à grandeza do Grêmio.

Mas isso só acontece porque existe a rivalidade entre os dois clubes. Um inveja a grandeza do outro, mira-se nela e tenta superá-la. Porque eles vivem para essa dualidade, porque as torcidas se provocam e se xingam eternamente, porque um existe para ser melhor do que o outro. No momento em que um ajudar o outro dentro de campo, se extinguirá a essência da dupla Gre-Nal.

Afinal, isso é o futebol. O futebol não é um esporte, em que o atleta luta contra si mesmo, tenta superar os seus próprios limites com movimentos repetidos, com treino, dedicação e concentração. Não. O futebol é um jogo, com todas as nuances de um jogo, onde entram a força, a velocidade e a habilidade, sim, mas também a inteligência, a perspicácia, a malícia.

No futebol, o torcedor de um time anseia pela derrota do rival, mesmo que seja para outros times. Não há nada de mal nisso. Não significa que um queira o mal do outro, não significa a destruição do outro. Para entender melhor é só pensar na nossa dulpla aqui de cima. Remo e Paysandu vivem uma relação idêntica. O remista quer sempre que o Paysandu perca, o bicolor quer sempre que o Remo perca. Mas isso é diferente de o remista desejar o mal ao bicolor ou do bicolor desejar o mal ao remista. Remistas e bicolores convivem todos os dias no Pará, são colegas de trabalho, amigos, alguns até estão casados.

Portanto, não é errado um torcer pelo insucesso do outro. Porque o futebol é um jogo, não é a vida.

O futebol não passa de uma brincadeira. E é bom que assim seja.

Pretender eliminar essa rivalidade em nome de uma demagógica integridade de uma competição é eliminar a lógica do futebol.

É acabar com sua razão de ser.

É óbvio que o Grêmio não vai pisar no campo do Maracanã programado para perder. Nenhum jogador vai marcar gol contra de propósito, o goleiro não deixará de tentar a defesa, o atacante, se tiver oportunidade, fará o gol a favor. O Flamengo que não se desconcentre, se quiser ser campeão.

Mas também é óbvio que nenhum jogador do Grêmio arriscará a tíbia numa dividida temerária, nem correrá mais do que correria numa partida de meados do campeonato. O Grêmio de domingo não jogará de mão no bolso, mas também não jogará de faca entre os dentes. Jogará um amistoso contra um time que jogará uma final de campeonato. Assim como o Corinthians fez contra o Flamengo.

E tem de ser assim.

Pela honra da rivalidade.

Pela honra da Dupla Gre-Nal.

Em nome do espírito do futebol.

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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.