terça-feira, 22 de junho de 2010

CARA E COROA

Com estilo, carisma e bom humor, Maradona virou “O Cara da Copa”. Conquistou um monte de gente que não gostava da “arrogante” Argentina. Em seu personagem atual, leva para a Copa do Mundo de 2010 uma mensagem de que o futebol é uma grande festa, pura diversão.



O ex-craque não é nenhum estrategista, ele sabe disso, e talvez justamente por isso mesmo passe, hoje, a cada jogo e entrevista, a saudável imagem de que a nossa paixão nacional não deve ser levada tão a sério, a ferro e fogo.

Futebol, pra mim e aparentemente para o Maradona na Copa, deve ser fonte de sorrisos. É por isso que Maradona faz cena (outro dia no treino ajoelhou e implorou para que um repórter tirasse um casaco que ele considerou feio), canta parabéns na coletiva, arregala o olho e faz inúmeras brincadeiras, até agora sempre saudáveis.

Enquanto isso… Do lado da “Coroa”, o porta voz e comandante do nosso futebol xinga, resmunga, desrespeita e ironiza. Logo o Brasil que sempre encantou e teve fama de ter um povo feliz, amigável, acolhedor. Logo o Brasil que será a sede da próxima Copa do Mundo.



Dunga não tem nenhuma obrigação de distribuir sorrisos a quem quer que seja. Mas, na hora que aceitou o cargo, ganhou junto a obrigação de respeitar os torcedores da Seleção Brasileira. Coisa que qualquer pessoa educada não precisa nem de cargo para fazer.

Maradona, até antes da Copa, não era nenhum exemplo de boa relação com os jornalistas. Meses antes do Mundial foi punido pela Fifa com multa de R$ 42 mil e um jogo de suspensão por ter mandado os jornalistas que o criticavam “chupar”, logo após a sofrida classificação diante do Uruguai.

Mas ele teve inteligência suficiente para entender que não precisava criar inimigos externos para motivar seus jogadores e muito menos bodes expiatórios para um possível fracasso na África do Sul.

Dunga pensa diferente. Ele busca o confronto, se alimenta dele e acredita que seus jogadores precisam ser “guerreiros” para serem vitoriosos. O problema é que essa postura o está cegando para as coisas que ocorrem dentro de campo.

Contra a Costa do Marfim estava claro que Kaká estava nervoso, irritado com as faltas dos marfinenses. O correto seria tirá-lo logo depois do primeiro cartão amarelo.

Mas Dunga estava tão fora de si, xingando o árbitro, os bandeirinhas, o técnico adversário e até o atacante Drogba, que acabou por perder o “foco” no que era realmente importante.

Agora, ele corre o risco de ser o primeiro treinador suspenso durante uma Copa do Mundo por pura falta de educação e inteligência.

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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.