segunda-feira, 6 de outubro de 2008

TORCEDOR CHATO // Na Boca do Túnel

Através do ex-zagueiro e capitão do Paysandu, Gino, recebo o precioso "Na Boca do Túnel", com direito a dedicatória e tudo. O autor é o potiguar Maeterlinck Rêgo Mendes, que conta uma série de casos pitorescos presenciados por ele mesmo, como médico do América de Natal, ou outros que chegaram ao seu conhecimento, através do depoimento de pessoas com quem convive no mundo da bola.


São histórias curiosas, como uma contada ao autor - a quem peço permissão para levar aos leitores deste pedaço - pelo próprio personagem, o treinador Givanildo Oliveira, atualmente comandando o Vila Nova-GO. Givanildo, como se sabe, também dirigiu o América potiguar e conviveu com Maeterlinck.

O fato se passou numa das ocasiões em que Giva esteve à frente da equipe do Sport Recife-PE. Era um jogo entre o Rubro-Negro e o Central, na Ilha do Retiro, em dia de pouco público. Nesses jogos, qualquer grito de torcedor repercute, pois com as arquibancadas vazias, a voz do gritante se espalha facilmente.

O Sport, como sempre, era favorito, principalmente jogando em seu reduto. Só que estava encontrando muita dificuldade para abrir o placar. A torcida, como não poderia deixar de ser, mostrava-se insatisfeita, vaiando o time e dirigindo palavras pouco amáveis ao treinador. Todavia, havia um torcedor, desses ingrezientos, que resolveu pegar no pé do técnico com tudo a que tinha direito. A todo momento, Givanildo ouvia xingamentos partidos do cidadão, mais ainda depois que o primeiro tempo encerrou-se, com o placar ostentando um incômodo – para os rubro-negros - 0 a 0.

No segundo tempo, o Central ainda resistiu por algum tempo, mas o Sport foi minando suas forças devagarinho. Até que o time da Ilha faz 1 a 0. Givanildo respira aliviado, achando que o cri-cri vai deixá-lo em paz. Ledo engano, pois o homem continua achando que o Sport está jogando errado e quer sempre mais. Algum tempo depois, o Sport faz o segundo. Agora não é possível que esse cara não me deixe em paz, pensou Givanildo. Foi apenas um sonho, porque o peitica permaneceu sem lhe dar tréguas. O Sport faz 3 a 0 e não se passa muito tempo para o juiz encerrar a partida.

Quando vai se encaminhando para o túnel, Givanildo fixa o olhar no seu algoz, como se estivesse desabafando intimamente, naquela de "xinga agora, seu fdp". O cidadão era mesmo de fé e não perdeu o rebolado ao sentir que o técnico pairava o olhar em si.

"Não se preocupe não, Givanildo. Domingo eu estou aqui de novo."

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Quem sou eu

Belém, Pará
Um paraense de 1973, apaixonado por futebol desde 1982, jornalista esportivo a partir de 1999 e blogueiro oficializado em 2008. Sou repórter esportivo das ORM's (Amazônia e O Liberal), mas também me aventuro por outras áreas. Gosto de falar de gastronomia, embora cozinhe muito pouco. Gosto de ver filmes e falar deles. Gosto de ouvir boa música e indicá-la aos amigos. Gosto de comentar as coisas do dia a dia e emitir opiniões mesmo que ninguém esteja interessado nelas.