
Acontece que a mulher concedeu o poder ao homem. Não por magnanimidade; por astúcia. Afinal, à mulher o que interessa é criar os filhos e cuidar que a espécie sobreviva. Ela sabe perfeitamente que a economia, a política, a administração, todos esses subprodutos da Civilização, têm importância secundária. E sabe disso por causa da menstruação.
Chegamos agora à grande diferença entre mulheres e homens. À grande vantagem que elas têm sobre nós.
A menstruação.
Devido à menstruação, a mulher, mal egressa da infância, descobre que a vida tem fim. A menstruação faz a mulher compreender o ciclo da vida. Ela tem o ciclo da vida DENTRO dela! Ela compreende a mais importante lei do universo: que tudo nasce, evolui até seu apogeu e depois morre. Começo, meio e fim. Tão simples, tão definitivo.
De posse desse entendimento, a mulher anda pela Terra com os pés no chão. Ela não sonha, ela mantém os olhos bem abertos. Ela não acredita, como o homem, que pode viver um grande amor a cada sexta-feira, que enfeitiçará eternamente o sexo oposto, que ainda alcançará a fama, o sucesso, a fortuna, o poder.
Ao contrário do homem.
O homem crê que será capaz de grandes façanhas. Que a posteridade se lembrará dele. Crê-se imortal. Pobre iludido.
O homem está sempre correndo o risco de parecer ridículo, por conta dessa deficiência. Porque ele está sempre se arriscando, concebendo ideologias, lutando por elas. O homem tenta dar sentido à existência. A mulher sabe que o sentido da existência é existir.
É assim: nós homens somos românticos; as mulheres são práticas.
Donde, a diferença de sentimento em relação ao sexo. O homem pratica sexo por diletantismo, como nos áureos tempos pré-históricos. A mulher, para procriar. A mulher USA o sexo para atrair o homem. Ela se torna atraente, ela se insinua, ela entra em minissaias sumárias e calça botas de cano alto, ela infla os seios a silicone e os aprisiona em blusinhas minúsculas, com decotes tão profundos quanto a obra completa de Nietszche, ela raspa todos os pêlos do corpo, todos, todos, ou quase, tornando-se lisinha e macia e tenra, boa de se tocar, com aquelas pernas torneadas e compridas, aquelas nádegas redondas e rijas, aquelas... Enfim, você sabe. O que ela faz com todo esse arsenal é dar a entender à vítima, que é você, eu, nós, os homens, que nós teremos uma vida de aventuras como todo homem quer ter desde a Era de Ouro da Idade da Pedra. Uma vida de sexo enlouquecido, bárbaro, selvagem, pois é isso que queremos, é isso que somos, selvagens!
Sim, ainda somos selvagens... Os mesmos selvagens de há 150 mil anos, saltitando pelas savanas, enfrentando guepardos com alegria, pegando crocodilos pelo rabo, andando com o tacape ao ombro. Nosso instinto selvagem ainda está lá, aqui, dentro de nós.
Eis o problema. Não nos adaptamos à esta invenção feminina, a Civilização. Ao mesmo tempo em que nossa alma pré-histórica, livre e selvagem nos fez criar os poemas mais líricos, os romances mais comoventes, as esculturas mais perfeitas e o controle remoto, também nos acarretou as guerras mais sanguinárias, a destruição da Natureza, o aquecimento global e a música rap.
Bem que tentamos nos adaptar à Civilização. O esporte é a prova cabal das nossas boas intenções. O esporte nada mais é do que uma regressão à Era de Ouro pré-Civilização. Um esporte coletivo, como o futebol, dá ao homem a satisfação atávica de lutar em grupo por um objetivo comum. Antes, o time cercava o mamute: três ou quatro atraíam o monstro para uma clareira, outros seis guarneciam os flancos, mais sete ou oito artiheiros muniam-se de lanças pontudas para feri-lo de morte. Um perfeito trabalho de equipe para a derrota do adversário. O futebol.
Assim, todos os outros esportes, até os jogos de computador, são regressões ao tempo em que olhávamos com respeito para nossos primos Neanderthais. Não é por outro motivo que os esportes são invenções masculinas. Não é por outro motivo que a maioria dos esportes foi inventada por gregos ou por ingleses. É que gregos e ingleses, cada um ao seu tempo, foram os povos mais civilizados do mundo. Os mais reprimidos. Os que mais sentiam o que Freud chamava de Mal-Estar na Civilização. Como reagir? Como escapar a tantas normas femininas? Pela arte ou pelo esporte. Os gregos criaram todos os esportes de atletismo e fundaram as Olimpíadas. Os ingleses inventaram todos os esportes com bola.
Tudo para fugir da Civilização.
A mesma função tem a arte, a música, o teatro, a literatura. São expoentes da Civilização? São produtos da Civilização? Sim, claro que são, mas só porque o homem civilizado, reprimido, amordaçado, DOMESTICADO, como sempre quis (e conseguiu) a mulher, precisa de uma válvula de escape para sua alma inquieta e selvagem. Nada de mal nisso. Nós só queremos um pouco de diversão.
Aí está. Diversão. Eis o nosso objetivo, no Planeta Terra. As mulheres pensam em responsabilidades. Filhos. A continuidade da espécie.
Nós queremos nos divertir. É pedir muito? É demais???
Decerto que não. Mas elas não compreendem. Elas nos chamam de imaturos, mandam-nos para analistas. Terapia! Puá! Mais um truque feminino, mais uma tentativa de domar o que existe de puro em nós homens, o que reside no fundo do nosso espírito, a saudade do tempo em que tudo era belo e simples debaixo do sol.
Exatamente devido a esse nosso espírito minimamente indomado que a Civilização não deu certo. Porque não deu, não se iluda. Estragamos tudo. É um projeto cheio de defeitos e que agora, com o aquecimento global, talvez esteja perto de ser encerrado. A mulher se deu conta disso há algumas décadas. Aquela idéia de ela se recolher ao lar e cuidar do que é realmente decisivo, deixando o homem brincar lá fora, não funcionou. Agora, a mulher está tentando reagir. Está tentando tomar o comando daquelas áreas (economia, administração, política, negócios), que, se não têm a menor importância filosófica (e não têm), podem acarretar na destruição do planeta, no fim do mundo, no Armagedon, no Apocalipse, o que seria chato.
Trata-se de uma tarefa gigantesca. Como a mulher vai conciliar suas funções muito mais nobres e sérias de procriação e responsabilidade pela continuidade da espécie com as maçantes atividades administrativas? Talvez seja demais mesmo para ela, a vencedora da guerra com o Neanderthal, aquele machão pré-histórico.
Se for, bem, o mundo vai acabar já, já. E, com o fim do mundo, que importância têm todas as regras? A etiqueta? A Civilização? Nenhuma! Ninguém é de ninguém!
Mas, se não acabar, se a mulher conseguir dar um jeito nesse projeto mal enjambrado, que é a Civilização, bem, aí as coisas vão enfim acontecer do jeito que têm de acontecer: a mulher vai comandar famílias, empresas, cidades e nações, enquanto a nós, homens, caberão as funções típicas de seres mal adaptados ao mundo feminino, a sonhadores inatos, a românticos atávicos, como nós, e então nós nos dedicaremos aos esportes, à música, à poesia, à literatura, às artes plásticas, à culinária, a todas essas atividades criativas que não prescindem do espírito selvagem do homem.
As mulheres têm tudo para conseguir. Têm todas as chances de salvar o mundo que a elas pertence. Nós homens vimos sendo empecilhos há alguns séculos, é verdade. Mas elas dispõem de uma arma infalível contra nós: o sexo. Elas sabem usar o poder do sexo. Porque, para elas, o sexo é uma atividade secundária. Elas são máquinas de procriar, não se esqueça disso. Estão programadas para a reprodução. Assim, elas manipulam o nosso desejo para atingir seus objetivos. Quase sempre conseguem.
Provavelmente conseguirão mais uma vez, antes que tudo acabe.

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