
Ainda sobre o cinema político, há um filme que talvez interesse ao leitor, uma vez que vê-lo é possível tanto em DVD como no canal FX, para quem tem TV por assinatura. Há três anos a Paris Filmes lançou uma série em DVD, o projeto Masters of Horror (aqui, Mestres do Terror), da rede americana de TV a cabo Showtime.
Nomes de peso do gênero fantástico/horror foram chamados para dirigir filmes de uma hora de duração, com liberdade de criação e sem os limites normalmente impostos pelo produto televisivo. Nomes como John Carpenter (Halloween), Dario Argento (Suspiria), John Landis (O Lobisomem Americano em Londres) e Joe Dante integram o time. E é de Dante o filme que destaco, tanto pelo fator inusitado, como pelo seu conteúdo político agressivo. Chama-se Homecoming (voltando para casa, literalmente), batizado no Brasil de Candidato Maldito.
Trata-se de um filme de morto-vivo, mas há uma guinada incrível nesse mote, pois os zumbis de Dante (diretor de Piranha, Gremlins, Viagem Insólita) são soldados americanos mortos na Guerra do Iraque que voltam do além para cobrar da Casa Branca o porquê de terem morrido tão desnecessariamente. Como é que é? Isso mesmo!
Desde que George Romero apresentou seu clássico A Noite dos Mortos Vivos (1968) que o gênero zumbi foi aberto para duas interpretações: a primeira, a do filme de horror puro, macabro e aterrorizante. A segunda, embutida ali, é política, e Romero abordou racismo em ANdMV, consumismo e shopping centers no segundo (Madrugada dos Mortos, de 1978) e militarismo e caos em Dia dos Mortos (1983). Ano passado, lançou Terra dos Mortos, com interessante subtexto (facilmente aplicável ao Brasil) sobre os pobres (zumbis) que ficam fora e os ricos isolados em condomínios, dentro.
No filme de Dante, esse lado político é claro e evidente como nunca antes, e passa uma raiva do filme para com os EUA de George W. Bush que parece deixar a ira de Michael Moore em Fahrenheit 11 de Setembro meio que dispersa. O tema de Homecoming é o desperdício de vidas para saciar uma política frouxa e mentirosa, e nada mais simples e poético do que a imagem (desde já, uma das grandes imagens do ano) de dezenas de caixões cobertos com a bandeira americana num hangar sendo abertos de dentro, por jovens soldados mortos que exigem pelo menos uma explicação para a perda inútil de suas vidas.
É um filme que precisa ser visto não tanto pelo "filme de horror" que há ali, mas pelo contrabando radical que Dante faz ao registrar artisticamente a sua opinião raivosa em relação ao seu país. Se a imagem dos caixões cobertos talvez seja a mais forte, o filme relê uma verdadeira lista de imagens simbólicas que têm marcado o governo Bush, como o isolamento da base de Guantanamo, em Cuba, ou mesmo o processo de eleição, que guarda para o espectador mais inteligente, uma poética idéia relacionada ao desejo que muitos americanos têm, de mudar.

2 comentários:
fala sales, estamos todos na bogosfera, abraços, sejabem-vindo!
wz
o parente tylon está com uma cara de quemm está pegando alguém.
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